sábado, 26 de abril de 2014

De Pé!

Aqui não se diz
Aqui não se faz
Faz-se o que se diz
Nada do que se quis!

Portugal tão pequenino
No meu coração tão enorme
Pena a forma disforme
Que me leva mar adentro
Fogo fátuo de energia
Que me cospe cá para fora

Me liberta vida afora!

sábado, 12 de abril de 2014

Pé.

Quero amar, 
Quero amar...
Perdidamente
Total e insanamente, 
Quero amar gente
Gente que nem, 
Se encontra presente
Quero amar! 
E amar tardiamente!
Amar a minha mente!
Mente essa tão complacente.
Que se torna evidente que mente,
Mente, e o faz abertamente, á nossa frente!
Mente que está tão bem disposto habitualmente,
Mente quando diz que religiosamente segue a outra mente,
A mente que também é sua mente, a mim junta irmãmente!
Sou um caos deambulante, a cada um de todos os passos dilacerante!
Como é que seletiva, se desfaz, criteriosamente a visão de minha mente?
Sou só pó, é-me tão claro, faísca em voo, trigo cortado, lugar no tempo abandonado.
Sou um pé, no chão plantado, para ver se na solidão, me liberto de meu fado alado enfadado!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Inverno

O inverno vem aí, cubram-se de cobertores, verifiquem os esquentadores e preparem-se! Pois da maneira como isto está, nem se sai á rua pró chá, (porque tá frio e não há transportes e os preços, ui os preços,  com o Imposto de Valor Acrescentado, estão loucos e além disso, lá fora  só há moucos,( que nem sabem, nunca ouviram dizer, nunca lhes foram falar, limitaram-se a responder aos que os andavam  a sondar )).
       Nem se vai para o trabalho embolsar, pois com corte em despesa e ajudas á realeza pouco existe que nutra a viabilidade económica de uma Pequena Média Empresa!  Por isso o que resta fazer, é fugir ao frio gélido, emigrar esquálido e ébrio, seduzido por um rubor efémero, para um qualquer baldio tépido, onde o salário não veja ao dia 15 o seu lânguido sumário término!
Porque é que nos vergamos á necessidade, nos subjugamos á mediocridade, só para viver na pacatez de fingir de verdade, sermos uma nacionalidade?
       O que espera a sociedade, desta gente já de idade, que eleita por maioria,     só sabe andar aos papéis, brincando como reis, dando carta de alforria, a toda e qualquer porcaria, abjeta, imunda e atroz, sugando de todos nós, o direito de nos sermos, nós.
Um povo, sendo que é dele que se compõe a sociedade, espera justiça, luta à  desigualdade, evolução,  educação,  paz, compreensão, liberdade, pão! O estado não pode ser uma gigantesca maquina de calcular, sempre a subtrair (nunca a somar) o tudo, do pouco, ou nada, que há-de sobrar!

       Mas tenham cuidado com o ambiente, separem o lixo! Não o atirem  ao chão e não façam barulho e não gritem, nas paredes não risquem e não fiquem cá, desapareçam, quantos mais de vocês lá fora melhor, isto aqui vai correr bem, nós somos dignos da vossa confiança, tudo o que estamos a fazer é por vocês, tenham esperança, nós gostamos de vocês, nós compadecemo-nos do vosso sofrimento, nós pedimos desculpa, mas  exigimos mais ainda, porque sabemos que são esforçados, cortamos o dobro do bolo e chacinamos, violamos e queimamos, queimamos tudo! Tudo até á ultima réstia de dignidade que exista num povo, nós queimamos, para o ter na mão, para viver á sua custa, urdindo um medo que o assusta! Um que o paralisa e frustra!

       E fica o povo em convulsão, na eterna esperança da revolução, a que vai  acontecer, mas só pr’o ano, num sábado, ou aquela á tarde, com bandas ao vivo e fêveras no pão! Ou uma com finos e palavras de ordem que desafinadas se ouvem a mil vozes por não haver união nem no como fazer a transição da má gestão á coesão!

       A odisseia da ponte, não a sei tirar da cabeça! Aqueles dias, aqueles comunicados de imprensa ás pressas, aquelas coisas meio que improvisadas, um misto de revivalismo sindicalista, com golpes de tosta mista pró lanche e uma mini pra empurrar, porque assim que der a internacional, é hora de desmobilizar, “tocou a sineta, vamos a despegar”,  fechar a manifestação, picar o ponto e portanto, esperar pelo fim do mês, uma e outra vez, sem que nada mude afinal, sem deixar de ser vegetal, operário enganado e explorado, proletário mas bom cidadão, principalmente para com o patrão, coitado, ele também anda apertado, tem de ter em casa o pão e manter a manufacturação, só que com menos pessoas, com tantas as contas não são boas, fica-se pela metade o rendimento e só para evitar o incumprimento, com os outros, claro está, fornecedores isto é, mas tudo trabalhadores, todos na mesma fileira, todos a servir de cobaia, mais nada,  pois mesmo nas ugt’s e cgtp’s e outras siglas de união comum operária, existe um cancro em propagação, um de a todo custo evitar ser-se a solução, dando ideia que quem os norteia, são os mesmos que eles contestam, numa manipulação astuta de todas as formas de luta àquela corja corrupta.


       É tudo uma paródia! E nós somos os parvos, os parvos que não reagem, os que ficam na margem, sempre a admirar a paisagem, receosos com barriga vazia,  da clivagem da Social democracia, ou da “comunistó-topia”, ou a esquerdó-fagia bipolar, ou a popular hipocrisia, com laivos de xenofobia, ou qualquer outra ideologia que tenha um partido, para dia após dia, se sentar no lugar onde se finge o governar!

       E é o camarada proleta, que mais necessita, que mais apanha e se esforça, que  mais contribui para a coleta. Sucintamente, é embarcados na Catrineta que á deriva num mar de treta, tentamos cumprir uma meta que não é sequer real!  A verdade é que não há nação, não conseguimos união, porque a todo o momento, coitados, somos ludibriados, a abdicar de feriados, e de outros direitos conquistados, só por estarmos cansados e sermos até já insensíveis, ao modo como somos tratados.

       É necessário parar com esta pressa de pagar logo á cabeça, uma divida que não é nossa, encurralando de forma perversa a sociedade que sempre cumpre a promessa, recebendo a ingénua recompensa de  uma vida subalterna onde só, se vagueia escuro adentro com a desditosa ajuda externa, sempre á coca, sempre alerta.

       Falharam, todos nos falharam e persistem na falha, não reconhecendo o erro, não sendo os primeiros a padecer do atestado com que nos encostam ás cordas! O atestado de termos gasto acima das nossas possibilidades, vivendo além do limite que nos cabe em sorte! E nós,  somos culpados por ter acreditado no discurso que os bancos apregoaram, impulsionados os primeiros pela demagogia dos segundos, os governantes, que abriram contas multimilionárias no estrangeiro, tudo com o dinheiro de quem mal tem para ser! E é embriagados por esse poder efervescente de semideuses, que  sorvem do seu próprio narcisismo as acusações com que mantêm na linha este povo pouco letrado, mas com muita educação a educação de se pedir licença, de dizer “se faz favor”, saber-se estar sentado á mesa, engolindo num golpe só, tanto maltrato e violência, por sofrer desta doença, a de permanecer na ausência dum salário ou emprego, part-time, em suma escravidão encoberta de oportunidade, a maior parte do tempo combatendo quem pernoita (por mor da má sorte enjeitada) na mesma agreste e fria barricada.
        
       Mas ainda está para vir o dia em que, em Portugal, os partidos sejam responsabilizados pela nata que nos trazem á tona, boiando, a mando desses “encapuzados” que em segredo aconselham, veementemente,  os governantes, todos eles vindos das escolas de formação, as jotas, as jotinhas, caldeirões de más práticas, disseminadoras de doenças democráticas que cedo ou tarde infectam todos e todas, com os seus pequenos comícios, só para jovens e letrados, de preferência sem ideias próprias, mas com muita vontade de dignificar a camisola, muita vontade de contribuir para a equipa, fazer chegar o clube mais á frente, como se de escolinhas de futebol se tratasse. E é aí que ciranda, em círculos consanguíneos, o poder político,  do Luso povo!

       Apanhem o lixo da rua, separem-no, paguem para nós o reciclarmos e comprem-no em artigos novos taxados com valor acrescentado! Paguem as contas da luz, da água, paguem á segurança social, paguem ás finanças, paguem tudo e atempadamente, contribuam para o fosso da ingestão de dinheiros públicos, dinheiros que se esvaem a pagar dívidas bancárias, juros de mora a investidores lá de fora, descontem e mantenham  o país ligado ás maquinas, numa espécie de roleta  russa constante, em que não se sabe o que nos vai calhar daqui ao fim do mês, quanto mais daqui por  um ano, mais saber o que nos virá quando perdermos o emprego, ou lá longínqua,  na mirabolante  reforma!  Mas não se admirem se no dia em que falharem ao pagamento de uma qualquer factura, o dia seguinte vos ofereça o bem essencial  cortado, seja ele qual for, e não importa o que perderam, ou a que horas o perderam, a verdade é que não há desculpas, neste estado, ou pagas ou és banido! E este é o verdadeiro estado social, se não pagas não fazes parte, para fazeres parte tens de corresponder com aquilo que está a ser exigido a todos e como todos pagam, tu não és diferente e tens de o fazer. Não importa teres opinião contrária á da maioria, não importa acreditares que o maior ato de insurreição é o da desobediência civil, essa da marginalidade,  da persistência, de estrafegar o esperar pela união! Mas ainda assim, todos te dizem,  “tens de ceder”! Mesmo que por dentro a tua lógica e a paixão e o amor á vida e tudo o resto se sinta como num tufão a girar de um lado para o outro, e mesmo assim, ai de ti que não pagues, que não sejas rebanho, que não sejas brando, ai de ti que não tenhas calma por saberes que te estão a explorar e que por isso tu ainda tens de pagar, descontar, contribuir, tens de ser empreendedor, tens de ser tanta coisa, mas nunca, nunca tentes ser tu próprio!

       Se é isso que temos á espera por apoiar o estado, por ajuda-lo nesta missão de edificação de um novo Portugal, assente em turismo, vendendo a retalho o país do bom beber, comer e viver, este país tão no papel, tanto assim que não funciona, não é real, não é possível, este Portugal que não existe, que é só uma fantochada, para nos manter entretidos, fiando conversa de chacha, mais nada! Calados pelo meio do desassossego e da inquietação, pelo  receio que temos sobre como vamos deixar os nossos entes mais queridos se não cumprirmos, se não seguirmos a manada, segura e esclarecida, rumo ao nada! Que Portugal é este?

       Roubam-nos e não bastando, distanciam-nos do passado, obrigando-nos a uma nova diáspora, cheia de pessoas esclarecidas, pessoas que face á vertigem do que seria ser cá, emigram, buscando mais frutuosos dias, vivendo com a consciência, que deixam para trás a sina da luta pela sobrevivência!     

       Alunos uma vez, para sempre alunos! Há sempre mais a aprender, outros mundos, culturas, cidades, sociedades, estruturas, tradicionais, futuristas ou rurais, vamos longe e viajamos e fruímos e inventamos, edificamos e construímos, apaixonamo-nos e amamos, casamos, procriamos, criamos um novo ser, inventamos, educamos e o que é ao certo o que lhes ensinamos? Ensinamos como fugimos? Como debandamos, partimos, desistimos de ser Português, esquecemos tudo o que nos pertence, esta história nossa que não envelhece, que acesa grita ás alvoradas, grita até ás forças armadas, que impeçam esta loucura. A ideia de um país é agregar na sua soberania o lugar para toda a gente coexistir, sem deixar por aí, de fora, ao deus dará, aquele que não se converte, pura e simplesmente não se converte, ao discurso de sermos nós os culpados, enquanto que eles não são tidos, nem achados, nem julgados, condenados, nada!
       Fomos roubados! E não adianta correr atrás do prejuízo! O que há a fazer é muito, imenso até, vasto, mas já antes navegamos rumo ao fim do mundo, navegamos para onde a haver, haveria apenas queda e ainda assim insistimos  e assim fomos e descobrimos, descobrimos senão o que sabíamos, descobrimos que uma vez explorados, para sempre explorados...

       As pessoas parecem não ouvir os artistas, esses “deambuladores” da existência, os nossos poetas, os nossos músicos , revolucionários, os nossos pintores, escultores, calceteiros, estofadores, jardineiros, cozinheiras, arquitetas, jornalistas, obstetras, acamados, atletas, professores e outros doutores, autores de contos e lendas, sonhadores, amadores, anónimos e conhecidos,  velhos, novos, crescidos, tanto faz! Não nos ouvimos, não nos estamos a ver, não nos conseguimos ser, unidos, francamente honestos e justos!
De mim pr’a vós, quando é que nos seremos de novo?



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

algo

algo inédito mas revelador de maturidade... aqui seguem algumas palavras em memória de alguém, Miguel Torga esse alguém e eu o ninguém que o relembra...

Mudez

Que desgraça, meu Deus!

Tenho a Ilíada aberta à minha frente,

Tenho a memória cheia de poemas,

Tenho os versos que fiz ,

E todo o santo dia me rasguei

À procura não seu

De que palavra, síntese ou imagem!

Desço dentro de mim, olho a paisagem,

Analiso o que sou, penso o que vejo,

E sempre o mesmo trágico desejo

De dar outra expressão ao que foi dito!

Sempre a mesma vontade de gritar, Embora de antemão a duvidar

Da exactidão e força desse grito.

Mudo, mesmo se falo, e mudo ainda

Na voz dos outros, todo eu me afogo

Neste mar de silêncio, íntima noite

Sem madrugada.

Silêncio de criança que ficasse

Toda a vida criança

E nunca conseguisse semelhança

Entre o pavor e pranto que chorasse.

Orpheu Rebelde (1962)

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Que nem Phoenix, das cinzas, surge de novo este blog! Com este texto espantoso e este titulo extraordinário para texto tão maravilhoso, bem hajam!

E se te fosses foder? Já pensaste? Se te fosses foder, simplesmente, sem muito trabalho, sem cansaço, ias-te foder e pronto. Que tal? Se calhar é melhor explicar direito…

Imagina que acordavas de manhã e ias-te foder para a paragem do autocarro, ou do comboio, do metro, ou até á paragem do barco que te leva ao lado de lá.

Se já estás melhor de finanças e tens um carro para essas andanças, daqui para ali, de aqui para acolá, imagina que te ias foder para uma repartição das finanças. Que tal, consegues perceber melhor?

Sim senhor, eu simplifico, imagina que todos os dias os dias todos da tua vida, te ias foder lá para o trabalho, ias-te foder de manhã, quase sempre de tarde, uma vez por outra de noite! Todos os dias te ias foder, algumas das vezes, sem receber! Já me estou a fazer entender?

Não há problema, eu particularizo! Imagina que chegas a tua casa, ao teu piso, não tem importância, serve um piso qualquer, tens é de viver numa casa! Porque o que vive na rua, não se pode ir foder, já está bem fodido, lá do jeito que está!

Ora bem, a ver vamos, nem a meio do caminho estamos! Aquilo que eu quero dizer, é que se estás bem em casa, sentado ou deitado, de pé, ou meio de lado, apoiado na parede, ou deitado numa rede, muito provavelmente estás cansado que te mandem foder!

E agora, fiz-me entender? Sim senhora, muito bem, ainda há gente de bem que me escuta e com fervor não se importando tão pouco com o teor da linguagem, prestando somente e muito bem atenção á tão importante mensagem!

Ora bem, resumindo, bem sucinto e pequenino, o que te quero dizer com carinho, é que tu, ó Zé povinho andas meio ceguinho, ou isso, ou não queres ver, porque da maneira como te fodem, mesmo tu, um grande homem todo cheio de eloquência, de visão e inteligência já havias de ter feito um protesto, uma advertência!

Sim senhora, tens razão, tu fizeste-a e com respeito o que não lhes dá o direito de te mandarem pró caralho, que é um assunto que dá trabalho sobretudo na explicação, porque antes todos fodidos, do que todos no caralho!

Deixo-te agora e com amor um conselho de valor. Vás embora ou aqui fiques, só não quero que impliques com estas palavras fodidas, que regra geral são sentidas, ouvidas ou por entre lábios ditas, fazendo delas palavras importantes, certeiras e muito benditas!

Deixo-te agora um abraço e de favor só te peço que não espanques mais o palhaço, porque foder é um desporto de grupo e se tanto nos mandam foder e tanto nos deixamos foder, chegará de certo o dia em que fica claro que nos deixamos vencer!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Fim de Festa.

Olá meus amigos, amigas e todos aqueles que me foram seguindo por ai fora.
Em primeiro lugar, um muito obrigado a todos vocês que durante estes anos foram visitando, lendo e seguindo as aventuras e desventuras deste rapaz aqui. Agradeço todos os comentários, aqueles que aqui foram escritos e os que ficaram por escrever. Confesso que muitas foram as vezes em que esses comentários me deram mais vontade de escrever e que como tal mantiveram vivo este lugar. Esta não é, de todo, uma hora triste, esta é uma hora nova. Aquilo que este Post serve para avisar é que vou desactivar este blog. Não o vou retirar do ar, pelo que sempre terão acesso a todo o seu conteudo, ele é todo vosso. Não se preocupem que não é o fim, é só que este lugar aqui já não é bem aquilo que eu queria que fosse e como tal decidi começar noutro sítio.

O mais sincero obrigado a todos os que me leram, bem hajam!

Se quiserem continuar nas leituras de algos meus, sejam bem vindos em:

www.contosquemeconto.wordpress.com

beijinhos e abraços, até depois...

domingo, 25 de outubro de 2009

Pensar que a poesia se foi!

A poesia foi-se embora, deixou-me aqui sozinho com um conjunto de caracteres que não conseguem exprimir o que eu sinto ainda tão fortemente no meu interior.
É, sabem aquele grande amor? Aquele que só se encontra uma vez na vida? Eu perdi-o. O pior é que não sei sequer por onde começar a procura-lo, parece que com ele desapareceu muito de mim, estou despido de ser!
A poesia foi-se embora e deixou-me aqui sozinho, embrutecido por fora, mas o mais doce e sensível possível por dentro. Já não sei para onde olhar, o que ouvir ou fazer, já não sei nada, a poesia foi-se embora e parece ter levado tudo com ela nas mudanças.
Já não sou o mesmo sem poesia, estou tão pobre, nem o riso me sai cantado, nem a alegria me sai espontânea, só me saem estas palavras, que pobres, jamais enriquecerão aquilo que persisto em enaltecer.
Já nem sei bem no que pensar, nem os sonhos me saem leves do corpo! O meu corpo tem uma gravidade que é o quadruplo do que seria, se pelo menos uns versos, a poesia me tivesse deixado.
E estou triste, sim, bem triste, não tenho poesia e sem isso não consigo conversar comigo por forma a perceber melhor onde estou. Perdido, confesso que estou perdido, não é que me sinta perdido, porque até a isso a poesia e a sua ausência me vedou acesso, já não sinto nada, sem poesia não consigo sentir!
Ás vezes ponho-me a pensar se a poesia ainda está em mim, escondida num lugar qualquer que num dia estranho vou encontrar e passar horas e horas a divertir-me com ela. Pode ser que sim, pode ser que ela ainda esteja comigo, pode ser que no dia em que eu não pensar na sua fuga, ela me ressurja em sonho e eu me alegre, até lá, resta-me viver os dias em prosa, sem graça e simplesmente!
Outras vezes penso que a maltratei e como tal ela desistiu de mim para sempre, deixando-me aqui neste lugar estranho onde nada rima, onde nada nunca mais versa!
Mas depois tem aqueles dias, onde me forço a rimar, onde mesmo sem poesia tento o verso e o inverso. Tolero os dias um pouco mais quando estou assim, parece que as coisas me vêm de uma forma mais branda e como tal eu canto um pouco.
Mas tenho tantas saudades, tantas como nunca tive saudades de nada, saudades daquela poesia que me pintava os dias e me deixava inebriado, quase bêbado de cores e rimas e versos e palavras bonitas que pareciam rugir de tudo o que era som meu!
Mas para vos ser franco, trocava num piscar de olhos toda a poesia do mundo pelo amor daquela que ainda amo, trocava toda a poesia por um só segundo de abraço sentido e carinho partilhado, trocava o mundo por um beijo sentido, trocava tudo por uma só trova de amor daquela que amo ainda!
Mas o mundo não funciona como queremos, o mundo tem a sua própria ordem e os seus próprios afazeres, por isso o melhor que temos a fazer é procurar a poesia nas palavras mais simples, naqueles verbos estranhos e principalmente naquelas memorias indescritíveis que não conseguimos esquecer nunca, por mais que tentemos viver melhor e mais felizes!
Amo-a ainda, mas já não tenho poesia para o descrever!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Isto

Não sou filho bem disso, nem daquilo. Não penso muito nisto ou naquilo. Sou inquilino disto aqui, sem saber muito bem a que me refiro. Ao fumar este cigarro esguio, feito com as minhas próprias mãos, percebo que ele tem mais vida do que este corpo que o circunscreve numa frase. Ele tem uma muito maior chama do que quem o clama, ele vive bem mais no seu curto ímpeto do que eu neste longo arfar de dias e noites que se sucedem sem que algo surja!
Não sou filho de nada, sou angustia e desassossego, nem escrever sei bem, ou falar eu sei, sou nada e de nada pouco sou! Pais não tenho que conheça, pois seres que se prezem não produzem algo assim, não sou filho não! Nem perfilhado, nem adoptado, nem esquecido, não sou nada! Nem memoria me dou ao luxo de ser, pois para eu ser memoria, tenho de ter alguém que me recorde e nem para esse trabalho encontro operário que me sirva.
Não sou filho, ou ser, ou aborto, nem aborto, vejam só! Nem aborto sou, ou restolho, não sou nada! E pensando bem naquilo que digo, esse nada que me digo ser, não o chego a ser por falta de força, ou de vontade, ou por força de vontade! Não sou nada e esse nada, nada se limita a ser.
Mas parem já! Não é lamuria, não, não é lamuria não! Não o é! É expressar! É constatação! É consciência! Este nada, consciente é de que o é, nada, isto é! Este nada, sabe ser-se no nada, este nada é assim porque é assim. Nem tudo se explica, ou se sabe, nada, a nada sabe e sabe disso! Não sou filho, não, filho não sou.
Mas estou bem, estou bem sendo nada, nada sendo, como quiserem, o gerúndio dá sempre aquele laivo de inacção, aquela sensação de nada se fazer mas de tudo se ir fazendo…
Mas parem, por favor, de me ler parem já! Nem isso mereço, nem para isso tenho crédito!
O cigarro já morreu, viveu e logo morreu! Eu matei-o! Na minha vida eu matei-o, para a minha vida eu matei-o! E foi assim que ele viveu, a morrer em cada segundo, cada segundo mais perto do fim, cada segundo mais na minha vida e cada segundo também mais na sua morte! É, ele morreu e eu morro a cada passo também, alguém, algo me consome como eu a ele e por isso morro a cada instante, sem pensar nisso, sem considerar isso… a cada segundo morro eu e ninguém se preocupa com isso! Talvez seja por não ser filho de ninguém que morro tão rápida e obstinadamente, talvez por não ser filho de ninguém é que me esvaio apressadamente, talvez por ser filho de ninguém é que me queimo e mais e mais e mais, até não haver um “e” depois do mais!

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

E de repente o amor!

O corpo, meio dolorido e ainda imerso numa imensa solidão, que tem tanto de bela como de disforme, encontra-se faminto.
Levanta-se, abre os sentidos ao tempo e começa a emergir. O sol desperta os poros, os poros os órgãos internos e é nesse repente louco que surge algo.
Os olhos levitam nas orbitas, não param na sua dança irreverente em busca de um alvo. O dia despertou claro, não existe, nem para um pouco de charme iluminista, uma nuvem pedante que por ali circule.
O corpo, escusado será dizer-se, é o meu corpo. É nele que eu sinto, que eu vejo, que eu vivo este mundo. Digo que vivo este mundo porque não tenho qualquer outra opção, não nos é oferecida qualquer outra opção. Para a vida temos somente isto, este sol, esta terra escura sob qual deambulamos, este ar espesso que por vezes é inexorável e nos dificulta o respirar.
Apesar das cartas do jogo serem sempre as mesmas, o mesmo “jogo viciado” como costumamos dizer para nos desculpabilizar-mos, temos inúmeras formas de jogar, de apostar e, se o caso for esse, formas das mais mirabolantes de ludibriar o jogo convencionado.
Assim sendo, vamos acordando, vivendo e deitando, sonhando e morrendo.
O corpo, esse, está sempre faminto, ou quer comida, ou aventura, ou sossego, ou paz, muitas são as vezes em que ele se subjuga e pede somente o mais simples, a tão merecida paz! Mas mesmo a paz não lhe basta, não o preenche o bastante, é necessária a fúria, a luxúria, a perfídia. O pecado (se eu me acreditasse em pecado) é muitas vezes ingerido pelo corpo, por este ter necessidade daquilo que não é permitido, no entanto (e é por isso que eu não acredito no pecado) mesmo isso que não é permitido o sacia, isso não lhe basta, o corpo pede mais e mais, até que no momento em que ele se sacia ele pede só uma e uma coisa, a morte! Aliás, para sermos francos, a única coisa que o corpo não pede, é a morte! A morte, o corpo exige-a!
E assim vamos sobrevivendo, sempre oferecendo novos alimentos ao corpo, para que ele não se lembre de exigir aquilo que é dele por direito, a tão inexorável morte!
Nesse repasto gigante que é a vida, vamos servindo as mais maravilhosas ceias, polvilhadas de requintados e excitantes sabores.
Vamo-nos deleitando com as entradas, aqueles momentos em que olhamos os nossos pais e não conseguimos senão encara-los como super-heróis, como Deuses, a bem dizer, os pais são os nossos guias espirituais durante uma imensa parte das nossas vidas, se tivermos em conta que o que demora um ano na infância, mais parecem décadas aos olhos da idade adulta. Prosseguimos então por essas maravilhosas entradas, vamos tendo um gostinho do que são as primeiras amizades, quando um amigo é realmente um amigo e por ele não conseguimos senão dar a nossa própria vida se alguém tentar intrometer-se na vida dele, aquele verdadeiro amigo a quem daríamos a ultima chiclete, sim, essa mesmo, essa que guardamos a manhã inteira de aulas para depois podermos ir até casa ao final das aulas sempre a mascar e a fazer balões! Isso sim são as amizades da nossa vida! Ainda nessas entradas, vamos tendo coisas que por vezes nos azedam o apetite, a primeira grande desilusão, quando o percebemos que o pai natal não percebeu bem aquilo que queríamos e durante dias ficamos com aquele aperto no estômago de nos faltar algo e parecer que não existe vida, se não tivermos aquela bicicleta com que sonhamos nos meses que antecederam o natal, sim, porque nessa altura, uma semana são longos meses!
Depois das entradas chega-nos o prato de peixe, sei que é um pouco estranho, mas o prato de peixe é aquele que mais nos pesa, aquele que mais nos marca, chegam-nos as primeiras grandes dúvidas nessa altura;
- Será que ela\e reparou na espinha enorme que tenho na testa?
- Será que ela\e fala sobre mim quando está com a\o melhor amiga\o?
- Qual será o momento certo para eu ir ter com ela\e e dizer-lhe que gostei muito da forma como ela\e gozou com a professora na aula e que foi muito fixe ela ter dito aquilo, e mais fixe ainda quando ela\e saiu da sala e bem antes disso mesmo fez aquele olhar de má\mau e bateu com a porta e… e… dizer-lhe que ela\e é mesmo linda\o e que eu não consigo tira-la\o da cabeça!
E nessa altura tudo nos parece vibrante e o que é mau é mesmo mau e o que é bom nunca é bom o suficiente e na minha opinião os pratos de peixe são mesmo isso e essa é a minha opinião e eu nunca vou mudar e vou ser sempre assim!
Mesmo com tudo isso, esses altos, esses baixos, não são nunca o suficientes e por isso ele permanece esfaimado, completamente sedento e esfomeado! É mais ou menos nessa altura que algo acontece, algo de realmente profundo, chega o prato principal, a carne!
E de repente tudo muda, o prato, os talheres, o vinho, tudo se torna diferente! A carne acaba sempre, mas sempre, por ser um prato requintado, por mais rudimentar que seja a apresentação, por mais básico que seja a preparação ou o acompanhamento, é sempre algo que requer o nosso mais apurado paladar, temos de ter bom gosto nessa altura, temos de ter um estômago á altura também! No prato principal é quando provamos as coisas mais importantes, temos o primeiro olhar para os nossos pais como pessoas “normais”, que também eles têm dúvidas, que também eles falham e muito, deve dizer-se que falham tanto, que até se assemelham connosco, que também eles deambulam por aí, em busca das respostas. É impressionante como eles, mesmo sendo mais velhos ainda erram, e tanto! Acaba por nos reedificar esse momento, nesse momento em que percebemos que não existem super-heróis, quando nada é tão preto ou tão branco! Temos o momento em que tudo o que de nós existe se esgota, somos deparados com o pior do mundo, a primeira traição, o primeiro amigo que fica para trás, aquela mulher\homem que amamos como se só ela\e existisse e ele nos parte o coração, não contente com isso, volta para trás e esmigalha-o, torna a voltar e queima-o, regressa e varre as cinzas que dele restaram e arruma num saco que lança numa lixeira! Mas nem tudo é mau, em metáfora culinária, é somente aquele bife com muito nervo que após delicados cortes e refinado temperar se transforma num apetitosíssimo festim! Descobrimos as verdadeiras amizades, ficamos a saber que não existe maior amor do que o amor próprio e acima de tudo, ficamos a saber que existem pessoas para as quais somos muito importantes e que temos personalidades em torno de nós que confiam nas nossas capacidades e que nos impelem a chegar mais e mais longe!
Percebemos então, que somos mais que apenas um, somos um todo e isso é extraordinário no prato de carne, isso satisfaz-nos de sobremaneira.
Eis que chega a melhor parte, a sobremesa, pena que seja sempre servida em pequenas porções! Mesmo assim, a frescura de uma peça de fruta, a pureza das coisas simples, ou o charme de algo mais elaborado, como uma mousse de chocolate que tem o exacto sabor daquela que a nossa mãe nos fazia nos tempos de Super-Mulher. Então não pedimos mais nada, não precisamos de mais nada, relativizamos imenso as coisas, aquilo que parecia ter tanta relevância ainda à uns dias atrás, pois agora os anos passam ao sabor de dias, deixa de ter tanta importância, ficamos mais satisfeitos com coisas básicas, aquele abraço, aquele dia á noite em que adormecemos a ver algo insignificante, mas que de algum modo nos remeteu a outros dias e por isso nos alegrou como nunca nada antes tinha alegrado. Por incrível que pareça, nem mesmo aqueles momentos mais tristes e principalmente nostálgicos nos afectam tanto como deveriam, o estômago está bem forrado e a sobremesa apenas deixa um sabor mais doce na boca, não faz muita diferença no corpo, porque ele, mais do que nunca encontra-se saciado, está cheio de sabores e gostos e memórias e aromas que têm tanto de indecifráveis aos outros como de inacreditáveis para o nosso próprio palato ou olfacto. Na sobremesa aprendemos, finalmente, a esquecer e isso é o mais importante, não podemos estar constantemente a ruminar naquilo que foi ou deixou de ser, não tem jeito, temos mesmo de digerir tudo, as entradas, o peixe, a carne, temos somente de apreciar, degustar!
Eis que chega o final da ceia, o corpo, outrora faminto, pede mais, mas pede algo diferente desta vez, algo de que não precisaria se ele fosse para casa descansar em paz depois de tal repasto. O corpo, nessa ceia imensa que é a vida, pede-nos algo que o mantenha desperto, se não for para apreciar a refeição, que seja só para não estar sozinho, pois escusado será dizer-se que uma ceia destas não se faz sozinha, temos de acompanhar esta ceia com amigos, amores, família q.b.! Então, o nosso corpo pede o café, aquele pedido estranho que não é bom, pois, como diz um amigo meu, “algo que é seco, triturado ao ponto de se transformar em pó, fervido em água e que no final disso tudo ainda tem de ser misturado com açúcar para ser minimamente tragável”, não pode ser bom! Mesmo assim, tomamos o café, na esperança que possamos apreciar mais um pouco de tudo aquilo que nos fez estar tão activos durante tanto tempo, que agora nos parece não ter sido tempo suficiente, nunca nos parece tempo suficiente.
Por isso mesmo, o corpo, agora saciado, mas com uma nova fome, uma fome de tempo, de sempre mais e mais tempo, retira-se, o corpo esvai-se, larga a sua forma temporal e palpável e viaja para outro qualquer lugar, um lugar onde a ceia é interminável, onde jamais é necessário café para continuar, onde podemos comer só uma sopa, ou só sobremesas, ou só doces, não existe regra, não é mais um jogo, não é mais nada, é só algo!
Por tudo isso, o corpo despede-se das cartas que tem na mão, abandona o jogo e troca as fichas no balcão, parte para novos desafios. Lança-se agora na intemporalidade e por isso mesmo, os que o acompanharam devem sentir-se felizes, só pelo simples facto de saber que agora esse corpo está noutra, já não quer cá saber de entradas ou calamares com massa fresca polvilhados de coentros! Esse corpo está lá,” lá longe”, como dizia um dos meus melhores e mais sábios amigos!
Pena é que existam uns certos indivíduos cujo paladar é tão selecto que cedo demais abandonam o jogo, não nos permitindo tomar aquele café longo com o digestivo e o cigarro, aquele café sossegado após a tão afamada refeição, onde podemos colocar as notícias em dia, partilhar um pouco um do outro somente por um pouco mais de tempo.
No final é sempre isso, é sempre o tempo que mais esfaimado que o corpo vai-se regozijando com os mais belos petiscos levando-os para a companhia dele quando ele mais bem entende, só porque ele, o tempo, é o senhor de tudo, tudo o que foi, que é, ou será, pois passado, presente ou futuro, o tempo está, estará e esteve sempre lá!

Em homenagem a um excelente Gourmet, Jorge Vasques, que tal como o tempo, esteve, está e sempre estará connosco!


domingo, 13 de setembro de 2009

Foi o que foi!

Sem manifestos. Sem outros interesses que não os do costume, sem nada. No final das contas, sem ninguém. Olhar, nada ver, nada sentir, só olhar por olhar. Rever o que se olhou e não se sentiu, rever e sentir que pouco interessa o que se olhou, ou porque se olhou, ou sequer que se tenha olhado! No final das contas não se viu nada, não se sentiu nada! Fixar os olhos no vazio e sentir que pouco desse vazio se explorou, sentir que pouco se fez, que pouco se disse! Olhar o vazio e sentirmo-nos cegos! Pensar que se calhar pouco importa a condição de vazio, que se calhar pouco importa qualquer das condições em que nos coloquemos, pouco importa o importarmo-nos! Vaguear um pouco, lançar um pé para a frente do outro, só lançar o pé, não se pode, propriamente, chamar a isso caminhar, é só um lançar de pés que nos lança para outro lugar que não o actual, se bem que esse próximo lugar pode ser igualmente vazio. Mas relaxar nesse jogo, brincar a isso, ser um pouco criança nesse acto, ficar assim, a sentir algo que não nos toca, que sequer mexe connosco, sequer sentimos! E lembrar de tudo, ir pelo tempo fora, dentro de nós mesmos e lembrar de tudo, daquele tudo que agora é tão distante, tão distante que nos torna agora insensível àquilo que foi, àquilo que será nunca mais.

Pequeno aparte politico.

Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador
do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi
questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a
resposta de um Humanista e não de um brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr. Cristóvam Buarque:
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a
internacionalização da Amazônia.
Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse
patrimônio, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a
Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo
o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada,
internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a
Amazônia para o nosso futuro.
Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar
ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser
internacionalizado.
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode
ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas
decisões arbitrárias dos especuladores globais.
Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar
países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de
todos os grandes museus do mundo.
O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo
gênio humano.
Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural
Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou
de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um
quadro de um grande mestre.
Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do
Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por
constrangimentos na fronteira dos EUA.
Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser
internacionalizada.
Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade.
Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília,
Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria
pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la
nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares
dos EUA.
Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas,
provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as
lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em
troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo
tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando
o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo
inteiro.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a
Amazônia seja nossa.
Só nossa!.