domingo, 25 de outubro de 2009

Pensar que a poesia se foi!

A poesia foi-se embora, deixou-me aqui sozinho com um conjunto de caracteres que não conseguem exprimir o que eu sinto ainda tão fortemente no meu interior.
É, sabem aquele grande amor? Aquele que só se encontra uma vez na vida? Eu perdi-o. O pior é que não sei sequer por onde começar a procura-lo, parece que com ele desapareceu muito de mim, estou despido de ser!
A poesia foi-se embora e deixou-me aqui sozinho, embrutecido por fora, mas o mais doce e sensível possível por dentro. Já não sei para onde olhar, o que ouvir ou fazer, já não sei nada, a poesia foi-se embora e parece ter levado tudo com ela nas mudanças.
Já não sou o mesmo sem poesia, estou tão pobre, nem o riso me sai cantado, nem a alegria me sai espontânea, só me saem estas palavras, que pobres, jamais enriquecerão aquilo que persisto em enaltecer.
Já nem sei bem no que pensar, nem os sonhos me saem leves do corpo! O meu corpo tem uma gravidade que é o quadruplo do que seria, se pelo menos uns versos, a poesia me tivesse deixado.
E estou triste, sim, bem triste, não tenho poesia e sem isso não consigo conversar comigo por forma a perceber melhor onde estou. Perdido, confesso que estou perdido, não é que me sinta perdido, porque até a isso a poesia e a sua ausência me vedou acesso, já não sinto nada, sem poesia não consigo sentir!
Ás vezes ponho-me a pensar se a poesia ainda está em mim, escondida num lugar qualquer que num dia estranho vou encontrar e passar horas e horas a divertir-me com ela. Pode ser que sim, pode ser que ela ainda esteja comigo, pode ser que no dia em que eu não pensar na sua fuga, ela me ressurja em sonho e eu me alegre, até lá, resta-me viver os dias em prosa, sem graça e simplesmente!
Outras vezes penso que a maltratei e como tal ela desistiu de mim para sempre, deixando-me aqui neste lugar estranho onde nada rima, onde nada nunca mais versa!
Mas depois tem aqueles dias, onde me forço a rimar, onde mesmo sem poesia tento o verso e o inverso. Tolero os dias um pouco mais quando estou assim, parece que as coisas me vêm de uma forma mais branda e como tal eu canto um pouco.
Mas tenho tantas saudades, tantas como nunca tive saudades de nada, saudades daquela poesia que me pintava os dias e me deixava inebriado, quase bêbado de cores e rimas e versos e palavras bonitas que pareciam rugir de tudo o que era som meu!
Mas para vos ser franco, trocava num piscar de olhos toda a poesia do mundo pelo amor daquela que ainda amo, trocava toda a poesia por um só segundo de abraço sentido e carinho partilhado, trocava o mundo por um beijo sentido, trocava tudo por uma só trova de amor daquela que amo ainda!
Mas o mundo não funciona como queremos, o mundo tem a sua própria ordem e os seus próprios afazeres, por isso o melhor que temos a fazer é procurar a poesia nas palavras mais simples, naqueles verbos estranhos e principalmente naquelas memorias indescritíveis que não conseguimos esquecer nunca, por mais que tentemos viver melhor e mais felizes!
Amo-a ainda, mas já não tenho poesia para o descrever!

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