domingo, 13 de setembro de 2009

Foi o que foi!

Sem manifestos. Sem outros interesses que não os do costume, sem nada. No final das contas, sem ninguém. Olhar, nada ver, nada sentir, só olhar por olhar. Rever o que se olhou e não se sentiu, rever e sentir que pouco interessa o que se olhou, ou porque se olhou, ou sequer que se tenha olhado! No final das contas não se viu nada, não se sentiu nada! Fixar os olhos no vazio e sentir que pouco desse vazio se explorou, sentir que pouco se fez, que pouco se disse! Olhar o vazio e sentirmo-nos cegos! Pensar que se calhar pouco importa a condição de vazio, que se calhar pouco importa qualquer das condições em que nos coloquemos, pouco importa o importarmo-nos! Vaguear um pouco, lançar um pé para a frente do outro, só lançar o pé, não se pode, propriamente, chamar a isso caminhar, é só um lançar de pés que nos lança para outro lugar que não o actual, se bem que esse próximo lugar pode ser igualmente vazio. Mas relaxar nesse jogo, brincar a isso, ser um pouco criança nesse acto, ficar assim, a sentir algo que não nos toca, que sequer mexe connosco, sequer sentimos! E lembrar de tudo, ir pelo tempo fora, dentro de nós mesmos e lembrar de tudo, daquele tudo que agora é tão distante, tão distante que nos torna agora insensível àquilo que foi, àquilo que será nunca mais.

Pequeno aparte politico.

Durante debate em uma universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador
do DF, ex-ministro da educação e atual senador CRISTÓVAM BUARQUE, foi
questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia.
O jovem americano introduziu sua pergunta dizendo que esperava a
resposta de um Humanista e não de um brasileiro.
Esta foi a resposta do Sr. Cristóvam Buarque:
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a
internacionalização da Amazônia.
Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse
patrimônio, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a
Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo
o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada,
internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro.
O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a
Amazônia para o nosso futuro.
Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar
ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser
internacionalizado.
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode
ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas
decisões arbitrárias dos especuladores globais.
Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar
países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de
todos os grandes museus do mundo.
O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo
gênio humano.
Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural
Amazônico, seja manipulado e instruído pelo gosto de um proprietário ou
de um país.
Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um
quadro de um grande mestre.
Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.
Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do
Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por
constrangimentos na fronteira dos EUA.
Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser
internacionalizada.
Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade.
Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília,
Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria
pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la
nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares
dos EUA.
Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas,
provocando uma destruição milhares de vezes maiores do que as
lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Defendo a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em
troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo
tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando
o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo
inteiro.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.
Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a
Amazônia seja nossa.
Só nossa!.