sexta-feira, 31 de julho de 2009

No Oceano mais profundo!

Preso no chão. Pés atados no cimento e movimentos muito amplos de braços e até mesmo da cabeça. Gira, gira mais e mais, gira ao ponto de se sentir tonto e por consequência sentindo a leveza da cabeça ás voltas. Liberta-se de tanto girar sobre si mesmo. O cérebro abre-se, milhares de cores saltam, a luz ofusca quem narra, a luz ofusca as letras marcadas no chão, a luz cega! O cimento não aguenta, pouco e pouco vai criando pequenas rachas, maiores rasgos, enormes fendas, quebra, note-se, o cimento quebra. Um pé solta-se e prende-se bem fixo ao chão. Auxiliando no equilíbrio, uma mão ajeita-se para auxiliar o pé que ainda se mantém cativo do cimento. Um pouco de destreza, um pouco de maleabilidade, um pouco de sonho e luz, luz mais ofuscante ainda! O outro pé solta-se, ambos os pés soltos, chega-se á altura de dar um passo qualquer. Tudo brilha, tudo é tão branco que um passo para qualquer lado é um passo para lugar algum. É indecifrável onde se vai pisar. Os pés estão cegos, o corpo está cego, as mãos estão cegas, a luz, essa cega intensamente! De olhos bem abertos, observando a profundidade do branco, solta-se a perna e roda-se novamente, uma e outra vez mais, ainda um pouco mais, gira-se sobre si mesmo e outra e outra e outra vez. Novamente a tontura, novamente tudo, tudo igual, menos a queda! Caído no chão o corpo ganha vida, tudo o que é partícula sente, tudo o que é pele se sensibiliza, tudo o que é tacto é visão! O corpo estende-se na superfície ainda branca, é indiferente os olhos estarem abertos ou cerrados, tudo isso é indiferente, é outro tipo de aurora, é outro tipo de despertar. O corpo no chão, vazio de tudo, no chão claro como a palavra claro, branco como branco…
Ouve-se ao fundo alguma coisa, escuta-se algo além de branco!

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