sexta-feira, 31 de julho de 2009

Fim

Vais deixar-me assim? Sem brilho, na caserna do desassossego a lidar com o final do brilho de mim mesmo? Com o final do brilho de tudo o que existe? Sonho só, meu mal é que sonho só! Fico aqui, horas, fechado no meu covil e sonho só, não como se apenas sonhasse, não é disso que se trata, trata-se de que sonho só, sozinho, sem ninguém do meu lado que comigo sonhe, que pelo menos me veja a sonhar e me acompanhe nesta leviandade mórbida que é sonhar-se o inatingível, que é sonhar-se o insondável, o impossível, o nada! Deixas-me aqui a sonhar o nada sozinho e isso tira-me tudo o que tenho. Não tenho força para escrever cores, não tenho resistência para descrever músicas, fico-me aqui, na descrição e queixume de nadas que são isso mesmo, absurdos nadas sem conteúdo, sem ponta de sonho ou significado, nadas apenas, uns atrelados aos outros rumando a um lago de apenas vácuo. Obrigado, dás-me a solidão e por surpresa, de ti retiro senão nada!

1 comentário:

Anónimo disse...

Continua a sonhar, eu estarei ao teu lado e sonharei contigo. É para isso que servem os amigos.
Sozinho nunca estarás, mesmo que o queiras muito.

Bjoka,

Anitas