sexta-feira, 12 de junho de 2009

Mãos

Duas, quatro mãos, movem-se em contradição de si mesmas. Tocam algo que não reconhecem por não terem olhos para ver, são só mãos para sentir!
Sentem-se então amputadas, de tanto sentir estão amputadas, sentem tanto mas não se sentem e portanto ressentem-se disso. Evadem-se, subtraem-se e cruzam-se em par, ficam sós, mesmo sendo duas um par!
Pouco ou nada se sorriem, pouco ou nada se são se não se reencontram cada uma com seu par.
No entretanto coçam-se, enroscam-se por cabelos, prendem-se no pescoço, deixam-se cair e visitam cada uma sua perna, mas nada se assemelha aquele toque de dois pares, quatro batidas, vinte dedos quatro pulsos, a multiplicação de tudo e a adição que isso gera!
Foi assim que as mãos se souberam apaixonadas!

1 comentário:

Rafaely disse...

"Foi assim que as mãos se souberam apaixonadas!" Vou copiar, posso? Muito legal seus textos *-*