sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Procura.

“O anoitecer chega, encobrindo o dia com o seu manto escuro, vai-se deleitando ao ver o sol se pôr. Encobre a noite numa doce penumbra que permite o encontro dos amantes. Aí, nesse escuro confortável, eles encontram-se e partilham historias, relembram momentos e quem sabe, criam novas memórias afim de conseguirem divagar pelo mundo. Uma melodia ouve-se, singela e leve, ela chega aos nossos ouvidos e embala-nos num sono que tem tanto de quente como de enternecedor. Essa noite deitas-te com umas memórias mais na tua mente. No sonho que penetras, vais auscultando e visualizando a importância de tudo. Acordas e reparas, um novo dia nasceu, o manto da noite segui seu curso e agora aí, nesse lugar que te encontras, só uma coisa te alimenta, a sede de mais, de melhor, de novidade e de frescura. Navegas novamente pelo mundo e nessa viagem encontras-te um pouco mais, antes que a noite chegue, procuras reter em ti algo mais, para que logo, quando novamente a noite se deitar contigo, tu te possas partilhar uma vez mais, para que te possas enaltecer mais um pouco. “

Fico a olhar-te, enquanto o sonho cobre o teu rosto, eu fico aqui, deitado do teu lado a ver como o teu rosto se constrói, a ver como ele se me afigura. Sempre belo, penso eu, rosto exaltando vida! Passo, suavemente um de meus dedos sobre a tua face, quase que consigo seguir uma e uma só das linhas do teu rosto, desde o lugar onde ele se desprende dos teus olhos enormes e cintilantes, até ao teu lábio, vermelho, quente e húmido, clamando por um beijo. Não consigo deixar ir embora a vontade e por isso paro o tempo num doce carinho que te acorda. Despertas e exalas um aroma só teu, aquele misto de rosas com laivos de entardecer, aquele teu aroma que me encanta e me faz viajar sempre mais um pouco, sempre mais além. Ao despertares, soltas tua mão num gesto amplo, abraças todo o meu corpo e convidas-me para o teu sonho. Confio em ti, por isso não me questiono sequer. Enlaço-me em ti como uma trepadeira, sigo-te no sonho e fecho meus olhos. Todo o meu corpo enleado em ti, dá-me a sensação que te amo, que te possuo, mesmo que na quietude de um sono romântico. Nesse sono eu penetro mais do que o teu corpo, entro por ti e chego ao teu sonho. Imagino-me ali e de súbito concretiza-se, não é imaginação, é a mais pura das realidades, as nossas respirações em simultâneo, permitem-nos ao mais calmo dos sonhos, o mais brando e colorido! De súbito desperto-me para te observar mais um pouco, para conseguir ingerir de ti, um pouco mais daquela beleza, daquela subtileza tua que pelo mundo soltas sem sequer te dares conta. No entanto, no segundo em que meus olhos se abrem, és já tu que me beijas, nesse teu sono acordado, nesse teu sonho adorado em que nos amamos no sonho e despertos, onde nos amamos simplesmente. Movemo-nos em direcção do outro e por momentos o mundo deixa de girar, toda a gente o sente, mas para nós é já vulgar, a vulgaridade de uma quietude que nos permite a ver, a ver tudo, a sentir tudo! Mais do que amantes somos nós, eu e tu! Neste sonho que nos leva bem alto, onde nada mais parece importar, onde nada mais respira senão essa paixão que devora tudo o que encontra no seu caminho. É então nessa quietude semi-poética que teu corpo se lança á aventura no meu novamente. Começas por largar teus lábios em meu pescoço e tuas mãos no meu peito, sabes-me tão bem, tudo isto me sabe tão bem. Sinto-me a levitar e quando o olho a cama, vejo que não nos deitamos nela, estamos alto, bem alto… Só os lençóis que nos encobrem ainda tocam aquele oásis. Levitando, em pleno voo nos encontramos. Olhas os meus olhos e nada dizes, o silêncio parece de ouro, as palavras de pouco importam, elas não conseguem sequer digerir tudo aquilo, não conseguem nem começar por descrever o que se passa, por isso ficam inertes. As tuas mãos já consomem todo o meu corpo e eu, no ar, levitando com uma calma tão tranquila, solto-me de tudo e tomo as rédeas, prendo em minha mão teu cabelo e com um beijo, sorvo de ti aquela paixão, aquele calor! O tempo que parou começa a mover-se, lentamente o mundo recupera a consciência e volta a girar também. É forte a explosão que deriva da união de nossos corpos, é extrema! Sigo nesse sonho, contigo, bem alto me elevo e aí, nessas alturas largo-me em ti, num nós adorável que é leve ao ponto de voar!
Amar-te é ter asas! Amarmo-nos é voar! Voo ao teu encontro e em teu corpo me repouso.

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