quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ócio



(ilustração andreia P)

Entedia-me o olhar de quem não me quer ver. Sinto que dias passam e tudo fica menos disforme e mais conforme o que necessito. Por vezes dou por mim a pensar naquilo que estou a pensar e isso faz-me sentir amorfo! Faz hoje quinze dias e estava a questionar comigo mesmo a razão pela qual me questiono e me confundo e me divago ao ponto de me perder de onde quero chegar. Dias tenho em que por mais que respire, falta-me sempre o ar para andar mais aquele pouco que, presumo, me levaria onde quero. Tem outros dias ainda, dias daqueles que são feitos a vida, os dias onde tudo o que olho e sinto me assenta como uma luva, dias em que por mais que tente, por mais que me esforce, nada tem meio de correr mal! Mas esses são poucos, parece-me que tenho propensão ao aniquilamento próprio, digo-o, porque o penso e penso-o, porque não tenho mais nada para fazer senão conversar comigo. Não se fica louco por estar sozinho, fica-se louco, por se conversar com as pessoas que criamos para não estarmos sozinhos. Depois de criadas, essas pessoas parece que não se calam, parece que não sabem como se manter no silêncio e por consequência querem-se fazer notar. No meio da solidão, as pessoas que criei para me acompanhar, afastam-me ainda mais do mundo do qual eu me quero abeirar. Perversamente cru é este meu ser que tanto se enaltece como se derrota! Espírito derrotista que quer sempre mais e mais e que por consequência se desmonta em alienações e preconceitos. Contra a minha vontade movo-me sempre, não sei bem para onde, não sei bem porquê. Sabem que em dados momentos me sinto a precisar de ajuda, de uma voz que não tenha sido por mim criada, no entanto quando chego á conversa com um desses seres, firo-me em silêncio por vontade de não me ouvir! Queixume parvo de insuficiência de humildade, de desordenada vontade de conseguir, sabe-se lá o quê!
O mais ridículo é que tudo advém de puro ócio, tudo advém de tempo inglório, tempo vão! Tivera eu algo para fazer e a mecanicidade de meu corpo, substituiria facilmente a retórica de meu cérebro.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Não!


Não sei, não consigo, não ouso deixar de me escrever!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Tou indo...


Sabe-me a regresso. Ponto de partida de viagem sem retorno, embrulho minhas malas com uma sede de novidade. Coloco os sonhos, as imagens e os desejos do lado das meias e da roupa interior, dobro tudo direitinho, para que quando seja necessário desfazer a mala, tudo esteja onde seja necessário. Levo comigo sempre memórias e lugares, pessoas e momentos essências para que os mesmos erros não me assombrem. Passo a mala no controlo de bagagem e dizem-me que tem peso a mais, não tenho dúvidas em relação ao que tenho de retirar, por consequência deixo ficar a negatividade e a tristeza, levo só o que me é essencial, isso e algumas camisolas bem quentes, para o caso de poder passar algum frio numa noite mais ventosa. A viagem afigura-se-me longa, prevejo muitos percalços pelo caminho, da mesma forma que sei que muitas coisas vão estar preenchidas de rosas e facilidades. Nada é por acaso, por sorte levo-me comigo!

Sexo!

Beijar-te num calor intenso que nos impele ao despir.
Acarinhar-te ao ponto de me querer em ti.
Suar, escorrer de uma essência que nos refresca
Beijar-te até que me queime novamente.
Não paro, por mais que tente não me paro!
Todo eu me movo até ti, todo eu se quer aí!
Afagas gentilmente o meu rosto e derreto-me mais em nós,
Nesta simbiose que nos permite ao passear nas horas sem esforço.
No meio de tudo isso, privilegias-me com o sabor da tua pele
Que com o apimentar de todo este desejo, eu só quero mais e mais!
Degustamo-nos tão ferozmente,
Que cicatrizes ficam por onde tua mão me morde.
Só aquela palavra nos apazigua um pouco,
Para que refreando-nos, nos permita a respiração!
Ainda ardemos, mas tal combustão impele-nos,
Lança-nos numa obstinação pelo corpo do outro!

Procura.

“O anoitecer chega, encobrindo o dia com o seu manto escuro, vai-se deleitando ao ver o sol se pôr. Encobre a noite numa doce penumbra que permite o encontro dos amantes. Aí, nesse escuro confortável, eles encontram-se e partilham historias, relembram momentos e quem sabe, criam novas memórias afim de conseguirem divagar pelo mundo. Uma melodia ouve-se, singela e leve, ela chega aos nossos ouvidos e embala-nos num sono que tem tanto de quente como de enternecedor. Essa noite deitas-te com umas memórias mais na tua mente. No sonho que penetras, vais auscultando e visualizando a importância de tudo. Acordas e reparas, um novo dia nasceu, o manto da noite segui seu curso e agora aí, nesse lugar que te encontras, só uma coisa te alimenta, a sede de mais, de melhor, de novidade e de frescura. Navegas novamente pelo mundo e nessa viagem encontras-te um pouco mais, antes que a noite chegue, procuras reter em ti algo mais, para que logo, quando novamente a noite se deitar contigo, tu te possas partilhar uma vez mais, para que te possas enaltecer mais um pouco. “

Fico a olhar-te, enquanto o sonho cobre o teu rosto, eu fico aqui, deitado do teu lado a ver como o teu rosto se constrói, a ver como ele se me afigura. Sempre belo, penso eu, rosto exaltando vida! Passo, suavemente um de meus dedos sobre a tua face, quase que consigo seguir uma e uma só das linhas do teu rosto, desde o lugar onde ele se desprende dos teus olhos enormes e cintilantes, até ao teu lábio, vermelho, quente e húmido, clamando por um beijo. Não consigo deixar ir embora a vontade e por isso paro o tempo num doce carinho que te acorda. Despertas e exalas um aroma só teu, aquele misto de rosas com laivos de entardecer, aquele teu aroma que me encanta e me faz viajar sempre mais um pouco, sempre mais além. Ao despertares, soltas tua mão num gesto amplo, abraças todo o meu corpo e convidas-me para o teu sonho. Confio em ti, por isso não me questiono sequer. Enlaço-me em ti como uma trepadeira, sigo-te no sonho e fecho meus olhos. Todo o meu corpo enleado em ti, dá-me a sensação que te amo, que te possuo, mesmo que na quietude de um sono romântico. Nesse sono eu penetro mais do que o teu corpo, entro por ti e chego ao teu sonho. Imagino-me ali e de súbito concretiza-se, não é imaginação, é a mais pura das realidades, as nossas respirações em simultâneo, permitem-nos ao mais calmo dos sonhos, o mais brando e colorido! De súbito desperto-me para te observar mais um pouco, para conseguir ingerir de ti, um pouco mais daquela beleza, daquela subtileza tua que pelo mundo soltas sem sequer te dares conta. No entanto, no segundo em que meus olhos se abrem, és já tu que me beijas, nesse teu sono acordado, nesse teu sonho adorado em que nos amamos no sonho e despertos, onde nos amamos simplesmente. Movemo-nos em direcção do outro e por momentos o mundo deixa de girar, toda a gente o sente, mas para nós é já vulgar, a vulgaridade de uma quietude que nos permite a ver, a ver tudo, a sentir tudo! Mais do que amantes somos nós, eu e tu! Neste sonho que nos leva bem alto, onde nada mais parece importar, onde nada mais respira senão essa paixão que devora tudo o que encontra no seu caminho. É então nessa quietude semi-poética que teu corpo se lança á aventura no meu novamente. Começas por largar teus lábios em meu pescoço e tuas mãos no meu peito, sabes-me tão bem, tudo isto me sabe tão bem. Sinto-me a levitar e quando o olho a cama, vejo que não nos deitamos nela, estamos alto, bem alto… Só os lençóis que nos encobrem ainda tocam aquele oásis. Levitando, em pleno voo nos encontramos. Olhas os meus olhos e nada dizes, o silêncio parece de ouro, as palavras de pouco importam, elas não conseguem sequer digerir tudo aquilo, não conseguem nem começar por descrever o que se passa, por isso ficam inertes. As tuas mãos já consomem todo o meu corpo e eu, no ar, levitando com uma calma tão tranquila, solto-me de tudo e tomo as rédeas, prendo em minha mão teu cabelo e com um beijo, sorvo de ti aquela paixão, aquele calor! O tempo que parou começa a mover-se, lentamente o mundo recupera a consciência e volta a girar também. É forte a explosão que deriva da união de nossos corpos, é extrema! Sigo nesse sonho, contigo, bem alto me elevo e aí, nessas alturas largo-me em ti, num nós adorável que é leve ao ponto de voar!
Amar-te é ter asas! Amarmo-nos é voar! Voo ao teu encontro e em teu corpo me repouso.