segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Serve-me um eu!

Não posso falar, não posso ouvir, não posso esquecer, não posso lembrar. Preso numa atitude de marasmo, caso contrário, consumo-me, consumo quem me quer consumir e provoco decepção!
Idealizando-me num mundo perfeito, imagino-me sem boca, sem cordas vocais, sem reflexão e sem meu raciocínio. Porque será que a procura, a definição se torna, para mim, sempre mais importante do que a vivência?
Não se trata de inteligência, não se trata de vontade de conhecimento, trata-se de uma vontade de mostrar a toda a gente que eu não estou errado, mais do que me aperceber que estou bem.
Sensações mistas, emoções tríplices, sofrimentos multiplicados por mil! Dor na reflexão, dor na audição, dor naquilo que penso e falo. Busca pela simplicidade…
Buscar pelo não buscar nada! Buscar pelo me preencher, procurar mais, mas sem definir, sem rotular, sem me martirizar em pensamentos de sofreguidão que me levam sempre ao mesmo lugar, o novo início que tanto temo!
Falo que não quero finais, que me quero calmo, que me quero em mim e bem. Tudo discurso ilusório, tudo um discurso de puro onanismo! Uma masturbação de mim, para mim, comigo! Um pleonasmo egocêntrico!
Olho-te e já te sinto a ir embora, desapontada, decepcionada, por um lado magoada, por outro, consciente. Não te consigo manter comigo, não me compete. Tu saberás melhor que eu o que consegues, ou não, suportar…
Queria só ter-me mantido naquele transito lindo que nos guiava um para o outro, aquele trânsito que simplesmente corria muito rápido para que repousa-se-mos na duvida e não no discurso escolástico de explanação do outro.
Não te quero conhecer, eu conheci-te! Parece nunca bastar! Nada parece nunca bastar! Basta! Parto para dentro de mim sempre que me tentam trazer cá para fora. Parece que não quero evoluir, digo que sim, que o quero fazer, mas tenho medo… tanto medo… medo disso tudo! Medo da desilusão, medo do outro, medo da análise do outro. Medo de que o outro esteja certo. Medo de ter de lidar comigo. Não quero ter de lidar comigo. Não quero ter de mudar, mas sei que o tenho de fazer!
Nunca será suficiente eu repetir tudo o que eu tenho de fazer. Nunca será suficiente simplesmente “estar”.
Eu estou errado!

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