segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sentindo em vários sentidos.

Depara-se com a perplexidade da vida um homem. Algo o deixa assim, atónito. Cruza a estrada, num percurso solitário, cruza uma e outra vez a estrada. A sua mente em reviravoltas, sente-se perdida. O homem mente, por isso sua mente se atormenta! Fica ali por momentos, parado num tempo só dele. Enrosca-se em memórias e cruza novamente a estrada…
Quem o visse, pensaria que estava a fugir. No entanto, este homem está sozinho, ao longo da vida não se apegou de ninguém, de quem pudesse evadir-se agora! Sombria, a sua cara navega num espaço que mesmo ele estranha! Sente quem o observa, que este homem se escapa, por entre cruzamentos e várias paragens, este homem escapa-se…
Escapa-se de tudo, de todas as responsabilidades, de todos os hábitos e costumes, simplesmente, ele escapa-se. Para onde vai, ninguém pretende saber, parece ser suficiente para toda a gente saber apenas que tal figura se ausenta do espaço que eles ocupam. Mesquinho grupo de pessoas com medo. Por verem um homem mais provocador ao espaço que ocupa, pensam logo em coisas más. É só hum homem, que mal é que ele poderá fazer? Deixem-no ficar, digo eu! Deixem-no ficar!
Mas era ele quem não queria, nada teria a ver com aquelas pessoas, com aquele meio. Queria ausentar-se e essa era sua vontade, nada mais iria ser relevante! Segundos depois escuta-se um som, um som de despedia, teria sido ele a sair, a bater a porta do tempo e a vaguear para outro lugar.
Falam-me de morte hoje, mas eu não sei…
Sinto que aquele homem, enrugado pelo tempo, com aquela almofada debaixo do braço, era nada mais nada menos que um homem que necessitava de um pouco de paz.
Só paz…

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