sábado, 9 de agosto de 2008

Descritivo de si.



(ilustração de andreia P)




Resplandecente sorriso que me faz levitar. Boca doce, lábios ternos e agressivos. Lábios que beijam sonhos que em mim existem. Uma língua sumptuosa, cheia de volúpia e luxúria. Traços faciais que se interligam numa assimetria bela, uma assimetria que se completa por ser dissonante, por ser original e apelativa. Uns olhos, uns olhos quaisquer, uns olhos vulgares que são dissimulados! Uns olhos que se camuflam de banalidade e trivialidade apenas por serem profundos demais e por terem percebido que afugentavam o intrépido observador que se enamora a cada piscar. E o cabelo, que dizer? Longo, interessante e generoso, dá-nos a impressão que poderíamos palmilhar léguas e léguas e que nunca sairíamos da extensão que vai da raiz até á ponta de um só fio. E um corpo belo, branco como neve que brilha, reluzentes raios de sol reflectem nele e inebriam todo aquele que se prende nele. Tudo isto completo de imperfeições que só nos atraem por serem únicas! Imperfeições que são nada mais que a marca de uma vivência e uma personalidade. O corpo perfeito é desinteressante e insosso.