terça-feira, 8 de julho de 2008

Queimar-te...





Olhei para trás e estava alguém a ver-me passear pelos meus caminhos. Estranhei, mas segui o meu percurso, não me costumo incomodar com pessoas que não admitem que me querem ver. Dou mais uns passos e sinto novamente um olhar que me aquece a pele, arrasto minha mão pelo corpo e sacudo esse calor! Sinto-me melhor por uns momentos, até ao instante que me apercebo que não consegui findar aquele calor, aquele desejo que alguém vê em mim.
Sou desejado, pensei, sinto o calor e aqueço a cada olhar fogoso. Subitamente o desejo rebenta com a minha pele e sai projectado do meu corpo, em direcção aquele outro, que me vê! O calor é já tanto que ambos os corpos se desnudam tentando esfriar aquele desejo.
Não adianta e parece que já queima, arde algo que se torna impossível de apagar, algo queima até o ar que nos envolve. Ela vem do meu lado, coloca a mão no meu ombro e sussurra meu ouvido com chamas, um fogo vivo que me diz : quero-te! Quero-a também, mas estou a arder, estou a queimar, refreio-me de a tocar, se a queimo mais, fico aqui a ver o fogo arder, pensei! Não aguentei e toquei-a , um só toque que explode o calor numa lava constante que se espalha entre nossos corpos. Ficamos parados naquela troca magmática e deixamos que nossas chamas se fundam. Como um beijo pode ser quente…
Estávamos já a arder fazia dias, a chama não queria apagar e nós só queríamos alimenta-la mais. Possivelmente ela pensava o mesmo que eu e de certeza que ambos queríamos o mesmo. Um beijo, mais uns toques, mais umas emoções fortes que nos fizessem arder mais algum tempo. No entanto o tempo prega partidas, o tempo leva-nos para longe e é nesse momento que temos de reunir as cinzas de todo aquele fogo e cuidar das queimaduras até que o fogo volte a arder aquando do seu regresso.

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