quinta-feira, 24 de julho de 2008

Bipolaridades



(ilustração andreia P)




Reflectes matérias nos dias que correm, buscas, pesquisas e indagas tudo, mesmo aquilo para que já encontraste a resposta. Cansas-te imenso e imaginas se terá um fim toda essa procura. Acordas outro dia, outro dia e ainda outro… acordas-te sempre quando te permites a sonhar, apenas para reafirmares que és tu quem tem a vontade de sonhar quando queres. Só tu é que sabes o teu destino e deixas isso claro! Não te preocupas com o que os outros possam dizer ou com aquilo que os outros possam fazer. Estás “na tua” o mundo é que vem ao teu encontro para te dar novidades de como deves percorrer esse mesmo lugar. Estás constantemente num momento de mudança, constantemente num momento de aprendizagem e fome de mais. O suficiente não te chega, queres demais e mais tarde ou mais cedo, isso será a razão do teu fim. Questionam-te muitas vezes se tudo isso vale a pena, tu respondes que não sabes, mas que estás cheio de vontade de descobrir. Repetes para ti mesmo que, deve existir uma resposta, deve haver uma solução, tem que haver uma solução, só podes parar quando não conseguires andar mais por saberes que o andar, pouco interessa no teu caminho. És um lutador, principalmente, és um defensor do teu trilho e do que ele te reserva, sentes que de nada vale a vida sem conteúdo, ou o conteúdo sem uma vida que o apoie. Precisas de auxilio, mas pouco te importa se ele não vem, sabes que a capacidade que tens para te ajudar é maior do que aquela que os outros terão, sequer, para compreender o teu problema. És um solitário, um eremita pós-moderno que se exila, apenas no seu intelecto. Estás sozinho, mas na tua solidão, acompanhas-te com pensamentos de esperança. És um líder nato daquilo que julgas poder controlar, ou seja, a tua vida e o teu destino, se é que assim lhe poderemos chamar. És um louco egoísta, mas isso de pouco te importa, sabes que agiste correctamente no momento em que te decidiste a faze-lo. Não reflectes em ti a verdade do mundo, mas esperas que a verdade do mundo se reflicta em ti. Sonhas só, num sono acordado do qual te impedes de sair, só por pura teimosia e orgulho. És orgulhoso demais, simplesmente és orgulhoso demais, nem sequer existe uma razão para isso. Dizes que nasceste assim, mas a verdade ,tu bem sabes, ninguém nasce de forma alguma, toda a gente se transforma depois, nasces vazio, apenas com a unanimidade que és um dos “do grupo” desse todo formado pela humanidade, és um humano, só esse traço te liga com a realidade, só esse traço te define como homem ou como pessoa. O traço não é claro nunca, nunca está bem cravado, está sempre pronto para ser apagado, é que nem um traço de lápis, que até com o tempo se começa a desintegrar.

Eu amo o mundo e tudo ao seu redor, acordo e apercebo-me da minha sorte por ter o discernimento para ver aquilo que está ao alcance de todos. Não sou único nas minhas particularidades, mas particularizo-mo por ser como sou e por me dar a entender como devo ser. Queria um pouco mais…

domingo, 20 de julho de 2008

Indelével transparência




(ilustração andreia P)


E é por entre momentos de silencio, em que apenas uma palavra se escapa, que o sossego começa a mexer com o nosso próprio intelecto. Começamos a ficar atados nas nossas próprias lembranças e tudo aquilo que vemos, nos parece muito pouco verdadeiro. Talvez tenhamos a curiosidade de ver como o mundo gira sem nós, talvez seja um qualquer lado negro que temos, mas que não queremos ver, pois ele faz-nos sentir que temos mais que fazer do que sentir que existe uma vida além de nós.
Queremos ter a sensação, que nos subtraímos de um todo ao qual nós, por intuição, sentimos que não pertencemos. É apenas o dia a vir ter connosco e a dizer-nos que a nossa noite está prestes...
Nesse tipo de instante, em que poucas coisas se fazem, para além de lembrar o que éramos e como gostaríamos de ser, é que nos sentimos um pouco sozinhos com a memoria que de nós mesmo temos.
Somos apenas uma memória que esquecemos de nós mesmos. Nada nos satisfaz, nem a realidade nem o sonho, nem o dia nem a noite. Estamos simplesmente a tentar encontrar um “limite” que nos deixe livres o suficiente, mas que por outro lado nos prenda, pois nós, incautos de razão, precisamos sempre de barreiras, quanto mais não seja para que nos apercebamos que o “tudo” não tem fim e o “nós” tem! A esperança será sempre chegarmos á conclusão que continuamos a batalhar com o que temos no nosso interior, sem que dessa batalha reze qualquer tipo de historia ou memoria. Somos uns espectros viajantes que nos encontramos em constante mutação e ascensão. Queria continuar-me por dentro do tempo, tão dentro do tempo, que o tempo deixasse de ter um friso temporal e passasse a ser só uma expressão daquilo que eu sinto que ele seria se eu não me importasse com ele. Só porque me são duros, os dias em que não durmo, por sentir que ele tem mais que fazer do que me sentir logo ali, do seu lado, no seu encalço.
Sou só um momento no espaço, e no tempo permito-me a ser apenas um momento…
Quero acrescentar palavras aquelas que disse acima, quero dizer que o segredo para a vida, será sempre algo mais do que a morte, será sempre algo mais que sorte ou azar, será sempre algo mais! Aquela que será a grande questão é se teremos a capacidade de confiarmos que a nossa hipotética falta de hombridade na hora de assumirmos a nossa pequenez, fará com que erremos sempre em tudo, ou quase tudo o que fazemos.
Somos apenas a sombra de um erro que está para vir. Não seremos nunca, muito mais do que isso… um erro.
Poderá eventualmente dizer-se que tivemos a capacidade de evoluirmos para reflectir sobre essa nossa condição, mas no final, apenas o nosso erro de começarmos a reflectir, fez com que a maior parte dos problemas surgisse. A nossa tacanhez tornou-nos grandes no momento de sentirmos o pendor da mão do destino a bafejar-nos o rosto com o mal dos nossos erros.
Somos uma matéria sem fundamento, um dia inglório numa vida sem muito que se lhe diga. Somos apenas humanos, mas ao pensarmos isso, sabemos instantaneamente que erramos, única e exclusivamente porque nos dedicamos á explosão de nós mesmos, na nossa própria memoria.
O tempo permite-nos pensar que a realidade poderá ser, eventualmente, uma metafísica do sonho, pode ser apenas um espectro daquilo que sonhamos e por consequência uma ficção por nós idealizada pela sede de nos perdermos na busca do intuito de cá estarmos a fazer alguma coisa. Por consequência, somos apenas um sonho de nós mesmos e por esse mesmo motivo, a nossa realidade é ficcionada por nós.
Imagino-nos daqui a muitos anos a “descobrir-mos” que nós nunca existimos e a ficarmos muito surpreendidos com essa informação. Diremos que não, que não é possível, que a verdade é que nós estivemos só um pouco enganados, mas que dentro em breve tudo ficará bem e que sempre tivemos razão quando dissemos que éramos o “algo” mais evoluído do mundo.
Risadas daremos de quem provou que éramos apenas um sonho e esse homem, aquele que foi menosprezado e enxovalhado, voltará para sua escura tumba mental e cessará de se sonhar, findando-se ele assim numa realidade factual.

No entanto, pode ser que eu esteja enganado e pode ser que seja eu quem está a viver um sonho. Seja qual das hipóteses for, pouco me importa, estou bem como estou. Estou pleno e seguro que tenho um algo meu que será muito difícil de menosprezar ou repudiar.

Eu penso e encerro-me nessa vivência aguardando por mais mostras cativantes de reflexão e evolução.

"voyerismo" para romanticos.



(ilustração andreia P)


Olho-os ali, olhando-se, tocam-se, não sentindo que me tocam com sua vida. Será que se questionam que os escrevo?
Ele massaja o corpo dela, enquanto ela, embevecida, se distrai com a perspectiva de plenitude. Ambos param e beijam-se. Parou o mundo para eles…
Tudo se tornou irrisório para os dois, no momento em que doces carícias e olhares os guiaram á candura de um terno beijo que os derrete. Pausam no beijo, afastam-se, apenas o suficiente, para que consigam irradiar o amor que têm um pelo outro, afim que o outro o absorva…
Enquanto isso, eu escrevo.
Agora é ela quem atrai os lábios dele aos dela, com um gesto que impressiona até o mais libidinoso dos amantes, que com tal gesto se imiscui de toda a lascívia e se prende somente na sensação emocional que é ser-se amado.
Continuam a beijar-se, ele abraça-a e ela promete-lhe. O quê? Só eles sabem, eu apenas os observava.

Ele gordo, bonacheirão e possuidor de uma aura carismática que só os gordos têm. Ela, simpática e anafada de uma magreza doentia que nos parece dar a impressão que uma palavra mais rude da parte dele decerto a destruiria.
Ambos na mesa, trocando palavras, risos, olhares de desconfiança e animação.
A aliança dourada dele e a notória disponibilidade dela a ignorar esse facto, fazem adivinhar que esse detalhe dourado é algo que pouco importa a ambos..
Ele negro e fumador, ela loira falsa, e com os calcanhares envergando uns ténis numa posição um tanto infantil e indefesa. Uns nítidos 40 anos para o calmeirão e uns parcos 20 para a indefesa. Mesas ao redor olham, com mais descaramento ainda que eu, que os olho para os escrever. Eles parecem alheios e adaptados a esses olhares, pelo á vontade deles não é a primeira vez que se encontram assim.
A cada profundo trago no cigarro dele, ela enrola o cabelo loiro no indicador e curva-se afim de sugar da palhinha que termina no copinho de sprite.
Parecem-me bem confortáveis e á vontade, os julgamentos externos não os impedem de viver o “seu” momento.
Será que o mesmo pode ser dito dos olhares de quem os julgam?



Ela sozinha, mesmo aqui do meu lado e ele, ele imagino-o estando do outro lado do mundo.
O “garçon” abeira-se dela e ela como que se espanta, num pequeno espasmo soluçado de quem nitidamente não está acostumada a estar sozinha. Pede um suco de abacaxi, a medo, novamente se refugia nela mesma. Parece estar longe, com ele. Subitamente vira-se e pede um cigarro, solta um sorriso quente depois disso. “Com certeza” digo eu, num tom de quem não quer dar a entender que a observara todo este tempo. Pega no cigarro, volta á posição e lentamente curva-se novamente… “tem isqueiro?” pergunta-me ela num tom que revela que ela não quer mais a solidão.
Acendo o cigarro dela e ela agradece ao mesmo tempo que se volta para a posição original. Nesse momento deixei de escrever, tudo o que escrevesse, poderia ter-se tornado pessoal.

sábado, 12 de julho de 2008

O "Chefe" poeta.


(ilustração andreia P)


Estava solto num mundo belo, prendendo-se aquilo que de melhor encontrava para transmitir. Cantava a vida com seus olhos e deixava-a compor, nota a nota, a sua musica. Tudo era extraordinário para ele, não se entristecia por nada. Via os dias chegar e degustava, de cada um deles, as especiarias que lhe aprimoravam o paladar. Era um “gourmet “dos dias.
Traduzia o sabor de manhãs, tardes e noites, em palavras saborosas que os outros comiam e choravam por mais. Apelidavam-no de “chefe” poeta, e ele, sem colocar entraves, oferecia mais um prato verbal. Versejava sensualidade com aroma de ostras, apimentava sensações de alegria com forte gosto a caril, chegava até a relaxar com especiarias asiáticas. Tudo era um maravilhoso prato falante, até seus pontos finais com gosto de café e fumo de cigarrilha. Era um felizardo e falar o que outro ouvia, era tudo o que lhe bastava.
Mas nem tudo se resume a poesias ou cantigas, tudo o que é claro, esconde sua sombra e penumbra…
Não tenho palavras para falar o que calo! Quase todas se esgotaram, ou perderam significância. A poeira que se solta por entre frases sem sentido, faz com que o discurso perca viabilidade. A mentira é tudo o que sobeja na boca do velho falador. E ele fala, torce o próprio nariz a si mesmo a cada barbaridade nefasta que solta, sozinho no seu mundo. Ele sabe que o seu negrume de indignação fútil, esbranquiçou a calejada escuridão da mentira. Nada sente ao dizer que se sente frívolo e perdido num mundo, cada vez mais, feito de atitudes narcísicas e hipócritas. Mesmo ele, que antes apregoava em todo o lado a verdade e virtude, se deu como vencido no árduo esforço de despertar sensações. A poesia despediu-se, falava ele em tom de gozo. Ela foi-se embora, só porque não se sentia respeitada, continuava ele…
Quase se lhe via as lágrimas de areia seca e malcheirosa rebolando pelo rosto escamado e amarelecido. É triste a vida de um homem que se dá conta de estar vazio do tudo, só de tanto se tentar dar! Esgotei o meu sopro e agora resta-me reter a respiração afim de que nada se escape ou invada meu ser já morto e infeccioso! Sou o meu mal, tendo sido o bem do mundo! E ele continuava, infindavelmente, repetindo palavras mortas e rebolando por seus fantasmas. Era um homem bom, que simplesmente havia desistido de esconder seu lado desistente. Rendeu-se ás suas próprias evidências e não se esforçou sequer, para tentar camufla-las. Era, no fim de tudo, um homem nobre, nunca deixou de o ser.
Não fica pena ou pesar, apenas saudade de pratos quentes e deliciosos…

quinta-feira, 10 de julho de 2008

AVISO....

PARA OS QUE ESTAVAM ACOSTUMADOS A UMA FOTO COM CADA POST, FIQUEM SABENDO QUE AGORA O BLOG VAI EVOLUIR. A PARTIR DE HOJE, CADA POST TERÁ UMA "MAOZINHA" MAIS CRIATIVA, PASSANDO A EXISTIR UMA ILUSTRAÇÃO PARA CADA UM DOS TEXTOS. AGRADEÇAM Á MAIS RECENTE PARTICIPANTE DESTE AFAMADO BLOG:

ANDREIA PEREIRA

PODEM SABER MAIS SOBRE ELA VISITANDO:

http://aspinkasred.blogspot.com/

DIVIRTAM-SE E BOAS LEITURAS

Pôr do Sol...


(ilustração de andreia P)


Respiro. Inspiro e expiro! E suspiro…. O lugar parece vazio com ausência de um algo que, pressinto, voltará em breve. O espaço fica vago, mas esperando o preenchimento que só esse algo oferta. Existe uma sensação de plenitude, uma sensação de compreensão do silêncio de quem fala por palavras mudas, de quem não emite som… Existe um olhar que não se vê, mas se sente. É a complexidade do “algo que não é falado” mas que é fortemente sentido. É aquilo que chega a emocionar pela veemência e virtuosidade complexa, mas que no fundo é tão simples. É tão simples, engraçado, é tão simples! É uma mescla emocional que apenas dá espaço à razão para ela concordar com tudo. É a racionalidade agrilhoada, só para o bem da emoção, só para tudo ser sentido, só para tudo fazer mais sentido.
É uma compreensão, uma escuta mutável, uma escuta libidinosa, sem que de sexo se trate. Uma escuta que é libidinosa só porque a palavra existe e também nos transforma e ensina. O sexo é outra coisa, é um outro patamar evolutivo, nos meandros da escuta e da compreensão. O sexo, é outra coisa!
E é aí, no meio desse silêncio, esse silêncio que ecoa por todo lado, que bate nas paredes e sussurra, que se esconde por entre bizarrias e depois nos surpreende, que o suspiro brota. O suspiro de vontade de reencontro, o suspiro que fala mais alto que mil pregões juntos. Quem suspira, exala um odor a saudade, saudade de algo que está tão presente, aqui, nos meus sentidos.
A polvorosa criada por memórias, em nada se equipara á explosão de palavras, toques e emoções partilhadas outrora. Existe uma sensação de esperança num algo desconhecido. Isto só acontece, porque emociona toda aquela verdade exposta em diferentes silêncios que nos guiam para um outro patamar! Um patamar de exaltação do sermos nós, de nos vermos e não sermos outra coisa que somente nos atrasa e dificulta. É verdade, somos nós, o eu e o tu, seja lá quem fores, ou onde estejas…
Permito-me á alegria da lembrança de um beijo e deito-me na minha cama, o algo espera-me, lá longe, no trilho que nos leva um ao outro sem que nenhum de nós se aperceba o quanto já percorremos até termos cá chegado!
Os lençóis já me abraçam, eles sabem o quão complexa para mim é a solidão, por isso eles tentam enlaçar-me. Refugio-me neles que nem uma criança, esperançoso, pueril e sonhador. A almofada, essa, sussurra-me no ouvido segredos, segredos que eu conheço, segredos do lado de lá. Sempre foi boa companheira, ela apoia minha cabeça e embala-me numa viagem calma e segura, uma viagem ao meu outro lado…
Ali perto, a lua espreita, ela fica curiosa com o mundo que dá voltas. Procura sempre alguém que também dá voltas com ele, ao invés de se prender firme a um chão que não lhe pertence! A lua fala-me que eu tenho de me colocar em orbita com a vida, só assim não acabarei agoniado. Eu só penso que é engraçado como o mundo parece querer desviar-nos do nosso trajecto, apenas conseguindo com isso, que nos aproximemos mais do nosso destino.
Destino… Quem percebe disso é o sol. No ultimo por do sol, ele disse-me: “amanhã estou de volta, esse é o meu destino, partir, somente para regressar!”
Cada dia compreendo melhor o sentido de tais palavras, mantenho-as para mim não as partilhando. O silêncio é importante, para que tudo fique dito...
Deixo aqui o silêncio e espero que me percebas…

Stand-up no Brasil...

Algumas imagens e a agenda para esse mês de julho.

(mais datas brevemente disponiveis)








Quarta 09-07-08 Comedia na Cara 22h
Restaurante La Reina
AV. HEITOR PENTEADO, 83

Quinta 10-07-08 Fanta Rosa Mogi das Cruzes 22h
(morada a confirmar)

Sexta 11-07-08 improRISO NO MR BLUES - 21h

Mr. Blues
Av. São Gabriel, 558
Itaim Bib


Domingo 13-07-08 Recife
Na Spirit Music Hall
Informações 3268.4080

Quarta 16-07-08 Comedia na cara
Restaurante La Reina
Heitor penteado 83
S. Paulo

Quinta 17-07-08 Arriba
Tequila’sim Bar
Rua Domingos de Moraes, 2330
S. Paulo

Quinta 24-07-08 com Diogo Portugal
Curitiba



brevemente espero noticias do Rio de Janeiro e de mais alguns lugares aqui em S. Paulo.

Fiquem atentos

terça-feira, 8 de julho de 2008

"Esquisitofrenia!"






Caminhos que se cruzam por forma de encontrar um conjunto indispensável á respiração que nos move.
Um passo que se segue ao outro, sem preocupações de um pequeno percalço que pode acontecer quando ambos os passos se cruzem.
Uma sensação de velocidade lenta que aumenta a cada instante que… sei lá!
Ser honesto, ser sincero, dizer que não sei porque escrevo!
Falar que falo, apenas para ser ouvido.
Será sempre assim ser como eu, quero ser o que quer que seja o que eu quero ser?
Não faz sentido, o falar já não faz sentido. Já não me sinto sentido!
Vai embora, larga-me e deixa-me ir por onde quero! Solta-me! Deixa-me estar! Porque não me largas quando te peço? Porque és tão frio e cru? Permites-me só a um pouco de silêncio?
Reflecte-me em ti, deixa-me ver-me!
Deixa-me estar aqui, contigo…
Para que me deixas voar se só pensas no momento em que descanso a teu lado?
Será que vais ser sempre assim? Confuso?
Só me apetece fugir para dentro de um abrigo que desconheço.
Problemáticas, problemáticas todas umas a seguir ás outras… porque é que não és mais simples? Deixa-me estar, deixa-me andar simplesmente!
Eu sou tão simples, tu só me complicas!
Peço-te, com respeito… deixa-me ir!
Sou eu, tu! Fala-me, mas não me grites, só sou o que tu queres ser para mim! Se és complexo, eu também o sou, se és simples, forçar-me-ei a sê-lo também, eu só quero o nosso bem, tu sabes! Eu sou tu! Personalidade fraca e sentidos despertos, demasiado despertos! Dorme um pouco, deixa-me tomar controlo da pessoa que somos juntos! Confia em mim só um pouco e deixa-me seguir pelo nosso caminho! Sabes que no fim de tudo, serei só eu e tu! Consciência e emoção… fazemos parte do mesmo todo, permite-nos a lutar contra outra coisa que não a nossa própria pessoa. Deixa-te ir um pouco mais, vais ver que vais mais longe, pelo menos sairás um pouco do marasmo em que te moves tão mal! Moves-te mal, sim, eu sofro com o que tu pensas e dizes! Eu sofro!
Desisto, de nada vale falar-te, serás sempre tu e eu, nunca seremos nós, não, nunca nos poderemos sentir um… seria bom demais e já se sabe que a perfeição deixa sempre muito a desejar. Um abraço…

Nenhuma foto...

Procuras harmonia, calma e contentamento. Os dias chegam-te sempre novos e com frescura, não te chega! Existe sempre ali mais alguma coisa para procurar, existe sempre um “algo mais” que não consegues muito bem explicar o que significa. Só te queres sentir como um todo, estás farto de todas aquelas partes a chamarem-te à atenção, sem te sentires parte de uma totalidade. Sentes saudades de algo, mas não o podes afirmar para ti mesmo, pois se o fizeres, será negar que estás bem como andas. Mas tu estás bem como andas, só te cansas é de andar sozinho! Sonhas a companhia, o local, a conversa e o motivo, no entanto sabes que é isso o máximo que consegues fazer, sonhar. Não te incomodas e deixas-te ir, sempre mais um pouco, sempre mais forte e seguro de que tens uma direcção. Achas um rumo e és fiel. Páras por vezes só para descansar e é nesses momentos que duvidas se o rumo que traças é correcto, confias novamente e andas mais um pouco. Sempre andando, passando por memorias, pensamentos, conclusões, traumas, paixões e tudo o resto. Gostas do risco, pois sabes que ele te desafia, aquilo que te custa é saber que não queres tanto risco e descoberta, queres saber que o próximo passo não terá hipóteses de ser em falso. É a tua racionalidade a pedir-te aquilo que só a paixão te permite, a certeza de que estás vivo. É então que equacionas a possibilidade racional de te findares num momento presente, a possibilidade de teres o reverso da vida, mesmo isso de pouco te importa. Sabes que o fim da vida é, para todos os efeitos, um final. Passionalmente não tens a capacidade que a tua racionalidade te parece pedir. Amas demais aquilo que vives e por isso, segues, insistindo no erro de te “amarrares” a uma esperança. Mas que boa é a esperança, que boa sensação que ela te dá…
Estás a viver e só isso vale tudo resto!

Queimar-te...





Olhei para trás e estava alguém a ver-me passear pelos meus caminhos. Estranhei, mas segui o meu percurso, não me costumo incomodar com pessoas que não admitem que me querem ver. Dou mais uns passos e sinto novamente um olhar que me aquece a pele, arrasto minha mão pelo corpo e sacudo esse calor! Sinto-me melhor por uns momentos, até ao instante que me apercebo que não consegui findar aquele calor, aquele desejo que alguém vê em mim.
Sou desejado, pensei, sinto o calor e aqueço a cada olhar fogoso. Subitamente o desejo rebenta com a minha pele e sai projectado do meu corpo, em direcção aquele outro, que me vê! O calor é já tanto que ambos os corpos se desnudam tentando esfriar aquele desejo.
Não adianta e parece que já queima, arde algo que se torna impossível de apagar, algo queima até o ar que nos envolve. Ela vem do meu lado, coloca a mão no meu ombro e sussurra meu ouvido com chamas, um fogo vivo que me diz : quero-te! Quero-a também, mas estou a arder, estou a queimar, refreio-me de a tocar, se a queimo mais, fico aqui a ver o fogo arder, pensei! Não aguentei e toquei-a , um só toque que explode o calor numa lava constante que se espalha entre nossos corpos. Ficamos parados naquela troca magmática e deixamos que nossas chamas se fundam. Como um beijo pode ser quente…
Estávamos já a arder fazia dias, a chama não queria apagar e nós só queríamos alimenta-la mais. Possivelmente ela pensava o mesmo que eu e de certeza que ambos queríamos o mesmo. Um beijo, mais uns toques, mais umas emoções fortes que nos fizessem arder mais algum tempo. No entanto o tempo prega partidas, o tempo leva-nos para longe e é nesse momento que temos de reunir as cinzas de todo aquele fogo e cuidar das queimaduras até que o fogo volte a arder aquando do seu regresso.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Quando o momento não basta.





Fazia dias que eu não a via. Ela tinha passado uns tempos lá em casa, mas tinha saído sem aviso. A principio preocupei-me, mas rapidamente percebi que esse era seu caminho, esse era o seu momento. Passei uns dias vagueando pelas memórias e pelos odores que ela deixou. Principalmente passeei pelos pensamentos que trocámos. Pensamentos simples, encontrar algo, viver. Era só isso que parecia importar. Os dias eram tão calmos, tão cheios de coisas que tinha sempre de vir mais um dia, para que nada fosse desperdiçado. Como tal, os dias foram-se sucedendo sem que o sentíssemos. Estávamos todos procurando, todos procurando sem o sabermos. Longe, lá longe, no espaço onde julgamos guardar as conclusões, tudo se ia revezando, um dia uma certeza, outro dia uma outra. Tudo é mutável, dizia alguém no fundo do hall de entrada, estranho lugar esse, para conversas sobre o tudo…
É verdade, conluia o “quase-bêbado” anfitrião, é verdade o quê? Questionava-mos nós, meio perdidos noutras conversas e pensamentos que aquelas que nosso amigo, “quase-bêbado” , parecia ter com ele mesmo. E então ele respondia, naquele estilo “quase-sóbrio” de quem está “quase-bêbado”, a verdade, a verdade é que tudo está aqui, tudo o que ali está, está aqui! Fingíamo-nos desentendidos, desculpava-mos tal discurso com ingestão de tais bebidas que ele tomara no decorrer da noite e da companhia. Mas a verdade é que tal discurso toca, quando a situação assim o permite. A ela terá tocado decerto! Ela partiu nesse escorrer de noite…
Tudo o que restou na manhã seguinte, foi a garrafa vazia que a noite despejou e o odor que ela se permitiu a deixar no hall que iniciou todas as tropelias a que nos sujeitamos.
Mas é bom, agora que o penso e falo, é bom. Não sei porquê, mas penso que o pendor da despedida está no facto de a presença ter sido tão boa, tão útil e enriquecedora. Agradeço agora o facto de ela não me ter avisado, foi difícil senti-la ir, mas seria mais complicado ainda retê-la. Apesar de tudo o que “aqui está”, estar também ali, se não nos movermos, nunca teremos a certeza. Admiro-a pela determinação e garra, de se deixar dissolver no momento em que a decisão se toma. Aprendo muito com ela sempre que a volto a ver nas memórias em que a guardo. O mais estranho no meio de isto tudo é que eu era o anfitrião, tenho medo por vezes que tudo seja imaginação minha e que o momento para sair do meu “hall” tenha chegado, tenho de me decidir a partir para ver o que “ali” está! Será que ela lá estará? Esperando que acorde e viva meu sonho com ela? Será que ela é real? Será que o vou saber? Incerto, «sonho e imaginação ligam-se que nem um encontro entre átomos que explodem sobre a pressão de se ligarem» . Vou indo, quero explodir o meu sonho com a minha imaginação…

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Familia.




Pai Sol



Reparei no sol hoje, reparei que estava só.
Apenas ao sol me refiro, quando me refiro a solidão
Vejo-o lá, tão longe e tão sozinho…
E apesar de ser tão visto e acarinhado,
Ele está sozinho!
Ninguém o abraça num sonho…

Ninguém o convida para uma noite boa
Ninguém o chama para uma conversa.
Ele? Sempre lá, para nós!
Ingratos, todos são ingratos!
Única e simplesmente por não verem!
Não verem quem abdica de sua vida,
Somente para que possamos respirar.
Não agradecemos o “dado adquirido”.
Não agradecemos as pequenas coisas.
Não vemos os detalhes…
Estamos entalhados na nossa miudeza.
Perdemo-nos no eu, sem olhar para o “ele”.
Todos somos “eu”, alguns serão o “ele” .
Todos temos um ou mais sois.
Eles lá ficam, sozinhos e “paternais”.

Rafael, o filosofo de infantário...





Represento a verdade que mente a todo o instante. Represento a mentira e o que dela deriva. Represento-me e sou mentiroso. Imagino o olhar dela e a versão dele. Ponho-me a questionar a razão pela qual a emoção transborda e reflicto, reflicto imenso sobre as razões que nos levaram/trouxeram aqui! Sou um rapaz tranquilo, represento o que sou! Não minto quando digo que o faço, mas minto, sempre que digo que o faço de determinada maneira. Tenho só 7 anos, reflicto e ninguém se acredita, dizem que sou novo. Minto na minha idade. Falo que são 30, os anos que já vi passar, continuam a surgir comentários que dizem que aquilo que observo não contem maturação. Exagero! 60, digo eu, referindo-me ao numero de anos que já vi viajarem por mim. Continua a ser insuficiente. Todas as vezes que falo, dizem-me que ”idade não é estatuto”. É então que questiono: Quem és tu, para me dizer isso? “Sou maior, mais experiente, mais verdadeiro… não preciso de mentir nas viradas que já vi os anos fazerem, para que me confiem, eu confio-me, eu sou o que sou! “ Escutei, calei e percebi, mentiroso! Tão mentiroso quanto todos os outros! Tão mentiroso como todas as “verdades” que me tentam passar! Tão inseguro, tão normal, tão reflexivo e inquisitivo quanto os outros, todos os outros… Impõe-se a questão, quem são todos esses outros? Que fazem? Que pensam? Que dizem? Que experiência obtiveram? Não sei, mas penso que somos nós, todos nós somos "os outros"!É rude, a frieza e crueldade da insegurança! Faz-nos desconfiar de nós e do que julgamos ser, mas eu só tenho 7 anos… o que é que eu sei?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Desculpas...










Homem 1 - Desculpa!

Homem2 - Porquê?

Homem 1 - Desculpa!

Homem2 - Mas porquê?

Homem 1 - Não fales, aceita só as desculpas…

Homem2 - Não, não desculpo algo que desconheço!

Homem 1 - Tu não queres saber, a sério… Desculpa simplesmente.

Homem2 - Estás a começar a assustar-me, diz-me logo porque me pedes desculpa!

Homem 1 - Não posso, é grave demais!

Homem 2 - Não tas a facilitar…

Homem 1 - Nem posso…

Homem 2 - Nem podes o quê?

Homem 1 - Facilitar!

Homem 2 - Bebeste?

Homem 1 - Desculpa!

Homem 2 - Ah, então foi isso, bebeste…

Homem 1 - Não, já te disse, só quero mesmo que me desculpes!

Homem 2 - Não estás a fazer sentido, mas ok, eu desculpo-te…

Homem 1 - Que alivio! Não imaginas o peso que me tiraste das costas!

Homem 2 - Não percebo porquê, o que é que eu desculpei afinal?

Homem 1 - Eu estive com a tua mãe hoje…

Homem 2 - Não! Não pode ser! Tu prometeste…

Homem 1 - Eu sei, mas não consegui resistir… ela faz aquele olhar dela e tu sabes… já passaste o mesmo, não dá para resistir àquele olhar dela. E ainda por cima, ela fá-lo tão bem…

Homem 2 - Como é que pudeste?! És um traidor, tu tinhas prometido… da ultima vez, tu prometeste…

Homem 1 - Eu sei, eu sei, mas aqueles olhos, aquela postura, tu sabes como é

Homem 2 - Sei, mas mesmo assim, não acredito. Como foste capaz?

Homem 1 - Ela curvou-se, tu sabes como é quando ela se curva e me fala naquele tom de voz…

Homem 2 - A minha mãe! Como é que foste capaz!? Aposto que o meu pai e a minha avó estavam a ver esse triste espectáculo, não é? Todos participaram, certo?

Homem 1 - Tu sabes como é, ela curva-se, ela tira… nem consigo falar sem me babar!

Homem 2 - Pára, tu és um porco!

Homem 1 - A sério, ela tira-a para fora, bate com ela na mesa, toda a casa fica empestada com aquele cheiro! Não dá para resistir, ela faz de propósito!

Homem 2 - Traíste-me!

Homem 1 - A sério, o marinado de marisco da tua mãe é irresistível, não sobrou nada! Desculpa, perdoa-me, por favor!

Homem 2 - Naaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaão! Ai a dor, ai o sofrimento…

Obrigado...





Instantes que se repetem fazem-me esquecer a “razão” novamente. Sou de novo irracional e gosto, sinto-me desperto e sei que vivo! É a razoabilidade sensata de quem sabe o suficiente para conseguir errar de novo e se sentir bem com essa decisão. Somos sempre tão sensíveis, tão crentes de um destino que ruma a nosso favor! Tem piada o sabermos a razão da amargura e mesmo assim nos “atirar-mos” de corpo inteiro a ela! É tão docemente agradável estar-se vivo e ter-se o poder para essas decisões! Elas serão sempre bem vindas para o nosso próprio percurso pessoal. Pessoal, palavra essencial para a compreensão daquilo que somos, pessoas, cada uma com seus defeitos, virtudes e passados maculados por experiências mais, ou menos, boas.

Por agora chega de reflexões meditabundas sobre o sentido pessoal que eu leio na vida de todos. Este blog Retomará então funções como refugio daqueles que querem ler o absurdo da vida visto pelos meus olhos. Muito obrigado por me terem lido nos últimos tempos e alegrem-se, está de volta o “pimpão” !