sexta-feira, 27 de junho de 2008

Dar para receber.






“Beijar um corpo vivo que elimina a morte de espírito, daquele que quer viver. Experimentar a proximidade e encontrar nela, o lugar que precisamos neste momento. Beijar, sentir-me honesto e desperto para este mundo.”

Sentir num corpo estranho, a estranheza que procuramos resolver no nosso próprio interior. Beijar e acontecer o momento em que o beijo se supera por um segundo, o momento em que o beijo é uma união de espíritos que se procuram, não um ao outro, mas um a ele mesmo. Encontrar a vivacidade no lânguido pulsar das membranas sensitivas que nos permitem sentir o corpo do outro, ali, mesmo no interior do nosso próprio corpo. O beijo, fonte de desejo e inicio do precipício da paixão, o local onde muitos entram, mas de onde ninguém sai como era. Um beijo, aquele momento especial, que só o é, por ser fruto da vontade de dois, por ser fruto de uma “unanimidade” de pensamento que flui e converge para o encontro de ambos. O beijar, o acto que não se profere e só se sente. Vontade, sempre vem a tona o tema da vontade quando o assunto é beijar. Confesso, tenho vontade! Engraçado, nada exprime mais o encontro de dois corpos do que beijar, porque para falar a verdade, não são apenas dois corpos que se aproximam, se sentem e interpenetram, é mais que isso, é um estado de espírito que nos permite abdicarmos da segurança que é estarmos sós, a importância que é abdicarmos da sede de nos mantermos seguros. Curiosidade, outro dos termos que prevalece quando a questão é beijar. Curiosidade de saber se aquele corpo, se aquele jeito de fazer as coisas nos cai bem ou nos agrada, saber se aquele movimento que nos aproxima, nos trás mais novidades sobre “aquele algo” que é de facto uma pessoa, que começamos a descobrir. Querer descobrir se, o matar da curiosidade, mata outras coisas que previamente, por termos beijado uma outra vez, quase nos deram a sensação de ficarmos mortos. É um beijo, tudo isso é um beijo… Tudo isso é um laço e uma experiência. Querer um beijo, o acto de o afirmar, o acto de o conquistar, o momento de nos afirmarmos e conquistarmos o momento para um beijo …

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