sexta-feira, 27 de junho de 2008

Poema




Nego.

Nego que o sinto ou que o tento!
Nego que a experimento,
A sensação de querer ultrapassar minha vontade.
Nego que minto…
Nego tudo o que digo pois não sei o que sinto!

Sonho que sonhei um sonho sonhado por outros
Imagino que é real e deixo-me ir.
Nego que me aproximo ou que quero mais.
Minto e nego que o faço.
Quero negar-me á negação!

Quero tanto, já tendo muito!
Faço tanto, tentando tão pouco.
Que faço eu? Nego fazer seja o que for…
A não ser que a minha afirmação seja atraente.
Só me quero a mim e á minha descoberta.

Rio quando termino de ser quem sou
Rio quando ser o que sou não chega
Sorrio por rires comigo
Fico feliz por estares cá
Choro por não me entenderes!

Revejo-me e sei que quanto mais o faço,
Mais invisível a mim mesmo me torno.
Que transtorno, o querer descobrir-me,
Faz-me ter medo de descobrir que não sou…
Não sou quem penso ser!

Sou só o tudo que quero ser.
Só sou eu, por saber que cá estou…
Que me ouço, me sinto, me vejo,
Me penso, me questiono, me toco
Me reinvento!

Nego tudo o que disse
Pois disse-o agora e amanhã,
Quando me acordar…
Pode ser que eu seja diferente
Pode ser que eu seja quem sou!

Dar para receber.






“Beijar um corpo vivo que elimina a morte de espírito, daquele que quer viver. Experimentar a proximidade e encontrar nela, o lugar que precisamos neste momento. Beijar, sentir-me honesto e desperto para este mundo.”

Sentir num corpo estranho, a estranheza que procuramos resolver no nosso próprio interior. Beijar e acontecer o momento em que o beijo se supera por um segundo, o momento em que o beijo é uma união de espíritos que se procuram, não um ao outro, mas um a ele mesmo. Encontrar a vivacidade no lânguido pulsar das membranas sensitivas que nos permitem sentir o corpo do outro, ali, mesmo no interior do nosso próprio corpo. O beijo, fonte de desejo e inicio do precipício da paixão, o local onde muitos entram, mas de onde ninguém sai como era. Um beijo, aquele momento especial, que só o é, por ser fruto da vontade de dois, por ser fruto de uma “unanimidade” de pensamento que flui e converge para o encontro de ambos. O beijar, o acto que não se profere e só se sente. Vontade, sempre vem a tona o tema da vontade quando o assunto é beijar. Confesso, tenho vontade! Engraçado, nada exprime mais o encontro de dois corpos do que beijar, porque para falar a verdade, não são apenas dois corpos que se aproximam, se sentem e interpenetram, é mais que isso, é um estado de espírito que nos permite abdicarmos da segurança que é estarmos sós, a importância que é abdicarmos da sede de nos mantermos seguros. Curiosidade, outro dos termos que prevalece quando a questão é beijar. Curiosidade de saber se aquele corpo, se aquele jeito de fazer as coisas nos cai bem ou nos agrada, saber se aquele movimento que nos aproxima, nos trás mais novidades sobre “aquele algo” que é de facto uma pessoa, que começamos a descobrir. Querer descobrir se, o matar da curiosidade, mata outras coisas que previamente, por termos beijado uma outra vez, quase nos deram a sensação de ficarmos mortos. É um beijo, tudo isso é um beijo… Tudo isso é um laço e uma experiência. Querer um beijo, o acto de o afirmar, o acto de o conquistar, o momento de nos afirmarmos e conquistarmos o momento para um beijo …

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Aclama Acção!





Retorquir, responder, revidar, retaliar, pegar em tudo e resistir, sonegar o paradoxo e lutar no sonho! Sonhar que se luta, só se luta, não existe vitoria, empate ou derrota, só resposta e insistência, liberdade e execução desse poder.
Perplexo, vagueio no espaço, imagino que o percorro, que o sinto, sonho que eu sou o espaço e que nele vingo, dia após dia, luta após luta, eu vingo nesse espaço.
Desconheço o que o espaço significa, ou, a que algo ele corresponde, só o vagueio e transformo. Experimento nele a vida e o que ela simboliza, procuro resposta e no retorno dessa busca só amealho mais perguntas. Só me apercebo que esse espaço, vazio e infinito vácuo, que a nossa imaginação não concebe, me move, me faz procurar resposta, tal e qual jogo infinito, que não arrecada vencedor.
Sou um “viajante”, um ocultador daquilo que se mostra a mim com lucidez e sagacidade, daquilo que para mim faz sentido, mas que na explanação para “o” outro, perde força, consistência e sentido. Viajo e tenho encontros, ao encontrar-me percebo que buscar-me-ei sempre, e para sempre! Quem sou eu, questiono e indago, e repito, em tom de questão ou indagação, seja qual for a diferença entre essas palavras, procurando solução. Experimento todas as formas, todos os jeitos, todos os percursos, tento… repito-me na tentativa, permaneço na tentativa, esbanjo experiência dela, de “tentativa”!
Aquilo que aclama acção, é a sensação de infinito e a percepção de que nesse infinito, a epifania me bafeja com uma brisa que estonteia de tão real, pura e eficaz. Essa brisa, que me consome e faz viajar, leva-me lá, ao paraíso da pueril simplicidade, do momento em que não questiono e paro para, “a tomada de consciência”. Sinto que na inconsciência, me demovo um pouco de, desenfreadamente, procurar um frémito de vida que me faça sentir vivo e aí, nesse instante, vivo simplesmente, acordo para a realidade e aprecio a experiência que ao meu lado se planta e dia após dia, cresce e cresce e brota e jorra e se espalha, por todo o espaço que ocupo e sou.
Consciencializo-me de que sou inconsciente, sempre que me nego ao acordar, sem antes visualizar o local onde estou. Apercebo-me de que vivi um pouco do sonho e que acordei, só o suficiente para me aperceber que posso continuar sonhando. Fecho os olhos, descanso-me novamente sobre mim mesmo e tiro partido desta minha, nossa, capacidade de nos ressurgirmos deste pesadelo que pensamos ser o caminho até ao sonho. O final, é só a passagem para o outro lado deste mesmo “jogo infinito, que não arrecada vencedor”.
A resposta está no respirar, respiro e no respirar, inalo um enorme fôlego de harmonia, felicidade e bem-estar. Somos só o que desejamos ser, quando nos permitimos a ser, quem queremos ser!

Em homenagem a noites inteligentes e humildes…

terça-feira, 24 de junho de 2008

Circuncisão de hipóteses




Queria, 250g de queijo, 250g de fiambre. Ah e se puder, queria também uns 400g de coragem. Se tiver fresquinha, arranje-me um pouco de imaginação umas 20, 30g, sabe que eu não preciso de muito para começar a trabalhar. Queria também umas amostras grátis de heroísmo, não sei se ainda tem… ah não tem, pois, bem me pareceu, esgota rápido, não é? (risos)
Se me pudesse embrulhar um quilo de sonhos, agradecia, quero fazer uma surpresa para os miúdos. É verdade, falaram-me que ainda tinha luxúria… ah, estragou… como estragou?! Estava tudo misturado, não é? Pois, quando essas coisas se juntam, é sempre complicado não é? (sorrisos)
Oh , é verdade, antes que me esqueça, ponha-me mais umas 400g de esperança, a que levei ontem, gastou-se rápido… pois, fica bem com tudo não é? (longo riso)
E só mais 100g de ódio, comprei demasiado na semana passada, se continuo a levar tanto, fica guardado no armário e ainda estraga (risos).
Acho que é só… você não acha? Como assim? Pois, é, estou um pouco em baixo, se calhar uns dois quilinhos, bem amanhados, de energia vinham mesmo a calhar, pode pôr então, afinal de contas não sou eu que pago, é como na musica, o corpo é que paga… ( apenas um ri)
Se quero amor? Não, deixe estar, estou bem assim, já tenho a minha vida com que me preocupar, se calhar fica para uma próxima… Mais tarde, sabe que é tudo uma questão de tempo, de ‘timing’, como dizem os estrangeiros (riso contido). Se calhar tenho de vir aqui á loja fora de horas, para conseguir um amor bom, percebe-me? (suspiro(s))
Mas pronto, acho que já está tudo. Acha que escolhi bem? É, por exclusão de hipóteses… (silêncio)… (silêncio)…
Ah, mas diga-me, quanto é que é? Uma vida? Pois, isto com a inflação, está tudo a subir, não é? (riso com aperto de mão).
Até á próxima, boa sorte para o negócio…

segunda-feira, 16 de junho de 2008

O viver dos dias.





Impotência e pesar no momento de agir. O corpo pára porque assim se lhe exige nestas situações. As lágrimas velejam pelo rosto árido. Cada uma delas leva consigo uma memória. Memoria a memória, o interior vai-se despojando do que sentia por algo, por algo que já se perde na infinidade de pensamentos e emoções do momento referido.
É a vida, pensa o cérebro, sóbrio e frio nestas situações. É assim que tem que ser, continua ele em cogitações lúcidas e francas sobre o modo de actuar. Já o coração, vertente emocional e sensível, é agora uma espécie de oásis florescendo numa aridez de sentimentos. A fria lucidez cerebral, fruto de uma vida de racionalidade e lógica no “sentir”, é completamente apoderada por esse coração e molda-se, transforma-se e é desligada no fim de tudo… Só o coração, metáfora de lugar que não cabe na racionalidade cerebral, domina o “renascer”, só o coração imagina e pensa nas memórias, agora vãs, de dias que se foram e voltarão jamais.
É dura a dor dos sentidos, é muito dura, mas logo logo é relativizada essa dor, a lógia intromete-se sempre, que nem um exercito da salvação para o coração extenuado de tanto pensar no modus operandi correcto para este tipo de situações!
Esquecer, diz alguém lá no meio do burburinho, esquece! Sim, esquecer, fácil quando se trata do sitio onde deixamos as chaves de casa, parece que esse tipo de coisas é tão fácil de apagar do cérebro, por muito importante que seja sabermos o local onde guardamos a chave para o nosso apartamento. Já quando falamos de uma vivência, de uma espécie de partitura musical de uma experiência humana, aí o assunto complica-se para o acto de “esquecer”. Desisto prontamente do acto perene de esquecer…
É então que o coração, magoado e “maltrapilhado”, vem novamente em toda a sua força, irado, raivoso e vingativo, repleto de emoção rancorosa e pronto a atacar com todas as suas armas. Continua sem resultar, por mais ira, por mais vingança, nada o fará minorar o que se passou…
É aí que a conclusão se abeira do coração, uma outra vez, vive…
Que simples nos parece sempre a mais complexa das respostas! Viver. Continuar a mover esse corpo. Corpo esse calejado por mais um evento que o talha para o futuro. Viver...
Até parece que se solta uma pequena rizada do corpo ainda enxugado em lágrimas de diferentes memórias, que agora soam a falso…
Mas é, diz o coração em pleno espanto e delírio, viver, repete ele uma e outra e outra e ainda outra vez, viver…
Assim se conclui o seguinte:
Se tiveres algum problema, vive-o, logo logo chegarás a outro que te impelirá a viver mais um pouco e assim vais vivendo e vivendo ainda mais, até ao momento em que tens já uma vida que te sucederá pelo futuro vivido por outros que aí viverão.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Pensamentos obsessivos, sobre atitudes irreflectidas!


(frases soltas e determinações sobre um segredo publico)


Como conseguir o mundo, se aquilo que conseguimos seguir é apenas a batida do nosso coração? O nosso coração quer muito pouco, estabilidade, esperanças de um futuro que não seja solitário e desflorado de sentido, um futuro que seja capaz de nos agradar até ao dia em que esse mesmo futuro para o qual sempre trabalhamos, se dissolva num passado agradável á memoria!

A coisa que mais queremos, é estar bem. Contraditoriamente, aquilo que nos faz evoluir é sempre o mal por que passamos e o estado mau em que nos encontramos.
Estamos sempre na procura do próximo momento de explosão interior que nos desmorona mas que nos deixa sempre uma base mais sólida assim que a poeira assenta. Estamos sempre a tentar evoluir, mas ficamos sempre a meio caminho do que quer que seja.
A evolução é um caminho enganador, estamos sempre a pensar que estamos a seguir em frente, se bem que aquilo que nos custa imenso concluir é que o caminho não é recto, aliás, nem direcção definida tem! Por vezes o caminho que temos de fazer é mesmo voltar a trás e fazer sempre imensas curvas e contracurvas até ao momento em que deixamos de andar!

Penso sempre no meu futuro pois o meu presente e o meu passado fazem-me desconfiar da validade de um futuro que me agrade ou preencha!

É sempre difícil encontrar força no local de onde tudo é retirado, no nosso ser, no meu “eu próprio”! Acho que ele já sofreu tantas alterações, que eu nem sequer sei quem ele é!

Tento respirar fundo, mas o ar que inalo é sujo demais e aquilo que os meus pulmões necessitam não é de ar sequer! Quero gritar o que sinto, mas não tenho voz, nem tenho emoções para partilhar, no meu fundo sobeja apenas a memória de um grito antigo, que de tanto o abafar, esqueci o que significava!

Lembro-me do passado, sempre que o presente se torna demasiadamente desinteressante ou doloroso! (não necessariamente por esta ordem!)

Quero um fim, mas um fim preenchido, mesmo repleto de coisas… só não quero é um fim preenchido de novos inícios! Isso matar-me-ia no final!

Sonho contigo, mas quanto mais te sonho, mais percebo que nem sequer te conheço… és mentira e medo, risco e passado, foste um dia e a minha vida tem mais coisas que fazer que te recordar…
Adeus e tenta sentir as palavras que eu não disse… tenta ouvir aquilo que não ousei dizer com medo de me magoar!

Lembra-te sempre que o meu sonho é a união, o ser todo, o ser pleno e saber que o sou… pois o dizerem-me que o sou, sem eu o sentir, não vale de nada!

Amor, amor é piada, a única coisa que é realmente verdade é o que fazes, principalmente o que fazes sentir aos outros! Estive lá, mas agora é o meu momento de ir… parto e confia que não volto, pelo menos como me conhecias…

Mudei, bastou-me viver para fazê-lo….

Encontrei-me, estava exactamente no mesmo sitio onde me guardei da ultima vez que me perdi…

Adeus, o passado chama-me á atenção e diz-me para viver o presente!