sábado, 23 de fevereiro de 2008

Mas e o Malaquias?



Outro dia se passou… e outro, outro ainda. Os dias passaram, Malaquias agora, já afoito e com desejo, questiona-se:
- Ora, tu queres ver que este caralho… ai… será?
Sempre no seu estilo muito próprio de pedagogo de “pé de chinela”, ele questiona-se. É verdade, toda a gente percebeu, toda a gente entendeu onde ele queria chegar, a sua mensagem ter-se-ia espalhado, teria até chegado aos ouvidos de certo funcionário de um patrão que por sua vez se intrigara com o cariz revolucionário da pergunta. Esse empregado, impregnado pela mística que toda a revolução traz, decide inquirir o patronato:
- Tão, oh chefe, você “tá” a ver isto?
O patrão, homem acostumado á pressão resultante de uma luta de classes, apressa-se a acalmar o seu fiel funcionário, que ainda três dias antes lhe tinha ofertado um cigarro, ali… ali no terraço do escritório, onde o frio aperta e só os “comensais” aquecidos já pela experiência de outros voos se reúnem.
- Ó Zacarias, tem lá calma, não venhas tu também para aqui com um socialismo delicado, muito próprio daqueles que por mais de duas vezes se venderam já, ao mercantilismo Leste Europeu que nada trás, senão grandes carradas de guronsan na manhã seguinte.

Foi aí, nesse momento que vai do choro ao soco que Zacarias, o operário do povo responde:
- Ai é assim? Então caralho, deixe para lá, eu depois falo com a sua mulher (senhora acostumada a determinados moldes de conversa que o patrão de Zacarias não poderia ofertar-lhe)
Tudo acalmou, ficou tudo com uma calma tão grande, que mesmo estando do outro lado do prédio, só se conseguia ouvir a conversa entre Zacarias e a mulher do patrão, uma conversa quase toda ela composta por interjeições.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Marcelo, o homem com umas cenas…




Hei, tava aqui a pensar… sim, tou a falar contigo, tava aqui a pensar… Porque é que me interrompes? … … … Ok, deixa para lá! … Não, agora não te digo! … Bolas, sempre a mesma coisa, estás sempre com esse tipo de discurso… Não, não estou a dizer, outra vez, que gostas de me ver em baixo, não é isso! … É que, a sério, tenho pensado muito sobre isto e … Mas porque é que não queres que eu te diga? … Eu? … Achas mesmo que eu ia ficar assim? Pensas mesmo que eu sou esse tipo de gajo? … … É bom saber que me conheces bem! … Não, a sério, seria incapaz de te dizer isso, fosse em que circunstância fosse! … Já agora diz que eu sou teimoso também, assim já fico mais contente com as características que vês em mim! … Não, agora sou eu! … Deixas-me falar? … A sério, deixas-me terminar uma frase pelo menos?... Para! Eu não te quero chatear, mas quero ao menos que me ouças. … Não me acredito que me chamaste isso! Eu, a pessoa que sempre te deu espaço, a pessoa que sempre pensou em ti e que por ti sempre fez tudo! Bolas! A sério, bolas! … Claro que eu estou chateado, não é obvia a razão? … Ah, não percebes? … Não percebes mesmo? … Estás a falar a sério? … Pois, eu devo estar outra vez com as minhas cenas, não é? … Pois, desculpa. … Mas eu também já te tinha dito para me interromperes quando eu começasse com as minhas cenas! … A sério! E pensar que eu confiei em ti! … … … … … … … … … … …

domingo, 17 de fevereiro de 2008

As folias de Malaquias


Certo dia Malaquias saiu á rua e pensou:
-Fodace!

Não foi o seu raciocínio mais elaborado, não foi uma das melhores palavras que já proferira, por exemplo, certo dia malquias havia dito “sub-repticiamente, vou andar com isto para a frente”, algo muito mais elaborado, chegando a ter contornos filosóficos.
No entanto nesse dia algo estava diferente, ele disse:
-Fodace!
Se calhar estava farto. De quê? Sabe-se lá, provavelmente estaria farto daquilo que lhe exigiam, das coisas que fazia e se calhar das pessoas que o obrigavam a faze-lo. Algo o teria afectado nesse mesmo dia de sobremaneira por forma a ele se encontrar naquele estado. Tentou reflectir sobre o assunto…
A nenhuma conclusão chegara ao fim de duas horas… Pensou:
-Fodace, fodasse pa esta merda… que caralho!
Hum, intriga-se neste momento o leitor sobre qual o conteúdo secreto desta mensagem, intriga-se também pela razão que levou Malaquias a proferir tais vernáculos de forma tão nua e avassaladoramente “fácil”.
Bem, a verdade é que algo tinha mudado na mente de Malaquias, ele já não mais pensava na vida, ele viva-a! Daí a sua nova definição para mundo:
-Fodace!