sábado, 23 de dezembro de 2006

Memória de um texto por escrever.

Olhei-te, com um certo desdém , admito! Tu também me viste. Fizeste aquele sorriso que eu aprendi a amar. Trocamos murmúrios...

Fiz-te uma surpresa. Lembras-te? Não? Pois, esqueci-me que não dás valor a essas coisas, elas são “coisas sem interesse” como tu costumas dizer.

Depois foi aquele momento em que eu te esqueci por instantes. Ainda não sabia que ia voltar a recordar-te , como se recordam os tempos de escola primária quando entramos numa sala e sentimos aquele cheiro a sala de escola primária, aquele aroma inesquecível que só quem tem a quarta classe se recorda!

Passaram alguns tempos, ambos tínhamos envelhecido e eu decidi voltar a surpreender-te, tal como fizera tempos antes.

Diferente surpresa, mesma reação, esqueci-me que para ti, essas “coisas sem interesse” não passam disso mesmo, de coisas pouco interessantes que servem apenas para esconder fragilidades sentimentais e frustrações pessoais!

Na verdade eu é que falhei, eu é que deveria ter tido atenção. Eu é que te deveria ter ensinado a gostar daqueles momentos que precedem a surpresa, aqueles momentos em que tudo é incerto, nem que por um milionésimo de segundo! Eu é que me esqueci de me esquecer de mim, eu é que não me esforcei o bastante para me lembrar de que aquilo que é importante, é apenas a memória que de ti resta!

Confuso?

Eu sei, surpreendi-te por instantes, não foi? Pensavas que eu estava a tentar chegar a algum ponto convexo de raciocínio, mas afinal estou só a dizer balelas. A verdade é que dizer balelas faz-me lembrar de ti! Sei que parece estranho, mas sempre que ouço uma bela mentira, recordo-me de ti, sempre que alguém me conta uma traição implacável, eu lembro-me de ti! É a ti que eu vejo, quando no cinema, uma cena do filme me lembra uma grande farsa!

Desculpa, estava a brincar, aquilo que eu realmente queria dizer é que te adoro e que a nossa relação tem futuro, que a nossa vida vai ser um mar de rosas, que nuca ninguém te vai amar tanto quanto eu te amo agora mesmo! Quero também recordar-te que apenas hoje me olhei no espelho e percebi que o meu eu se esvaiu de saudades de ti! Quero também dizer-te que “lamechisse” é algo que me traz á memória a tua pessoa! Por exemplo, ontem, enquanto passeava sozinho á beira-mar, decidi soltar uma lágrima quando vi uma mãe a abraçar o seu filho!

Desculpa, emocionei-me, penso que só de ter recordado esse momento, o meu intimo se enfraqueceu e o meu coração chorou uma lágrima de sangue!

A verdade é que te amo e por mais que te deteste, não consigo deixar de pensar como seria se nunca nos tivéssemos conhecido!

In, “O Diário de um Bipolar”

1 comentário:

Niquinha disse...

Acho que todos nos sentimos assim...de quando em vez...mas...a verdade é que até o nosso espelho nos vai enganando a alma...