sexta-feira, 21 de abril de 2006

Tenho vida própria?

Um dia, questionado, um homem tentou responder sucintamente á pergunta:
“Você tem vida própria?”
Bem, no início toda a questão lhe parecia descabida, pois ele julgava estar numa posição onde ele era, no seu ponto de vista, alguém que se regia a ele mesmo, alguém com missões a cumprir.
Missões essas impostas por ele, a ele mesmo!
Quando começou a aperceber-se da sua posição, posição que ele tomara na passagem da 12º para a 13º primavera da suas, até hoje, 23 primaveras.
Ele apercebeu-se que ele mesmo (e não um emprego, uma namorada, um cão, quiçá a sua avó tetraplégica) impusera sobre si, uma série de regras que o teriam impedido de viver uma vida própria.
Diga-se que foi um momento de algum pasmo, sobressalto e também de alguma alegria, pois ao fim de 10 anos a viver sobre o jugo de si próprio, a ele mesmo (passe a redundância) despertou do seu auto infligido cárcere e tenta regressar a uma vida onde a sua existência é livre e fecunda.
Duas horas depois este mesmo homem despede-se do seu, na altura cargo de topo, compra um carro de baixo consumo e consumando o secreto desejo de obter uma vida própria satisfatória, viaja até á Holanda onde pelos vistos se esqueceu de tudo o que viveu e começou nova vida como travesti numa boate famosa!
Tenho dito!

2 comentários:

Pop-up disse...

será que este gajo não tem amigos?
não há ninguém que cá venha deixar um comentário (por mais desprepositado que seja. como aqueles que vai semeando nos lameiros da blogosfera).

Ricardo L. disse...

não, só mesmo tu te dignas a aparecer, personalidade viril e brejeira que tanto aprendi a admirar!
como um abajour és lindo, mas com 7 finos no bucho, vejo-te como um Deus!